A Proteção Civil ativou este domingo o Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil para todo o território nacional, na sequência dos elevados prejuízos provocados pela tempestade Kristin e perante a previsão de manutenção de condições meteorológicas adversas ao longo dos próximos dias. A decisão foi tomada por unanimidade na primeira reunião extraordinária de 2026 da Comissão Nacional de Proteção Civil, presidida pela ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.
Paralelamente, o Governo decidiu prolongar o estado de calamidade, decretado na semana anterior, até ao dia 8 de fevereiro, após reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
O mau tempo já causou pelo menos nove mortes em Portugal nos últimos dias. Às cinco vítimas registadas na passada quarta-feira somam-se um homem que perdeu a vida na Marinha Grande, dois trabalhadores que caíram de telhados enquanto efetuavam reparações nos concelhos da Batalha e de Alcobaça, e ainda uma vítima mortal em Leiria, na última madrugada, devido a intoxicação por monóxido de carbono proveniente de um gerador.
Atualmente, 14 distritos de Portugal Continental encontram-se sob aviso meteorológico laranja: Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Porto, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu. As previsões apontam para chuva intensa, vento forte e agitação marítima ao longo do litoral, enquanto vários distritos do norte enfrentam também risco de queda de neve. No arquipélago da Madeira, a Costa Norte e o Porto Santo estão igualmente sob aviso laranja.
Apesar do cenário adverso, as autoridades admitem uma melhoria gradual das condições meteorológicas a partir de quarta-feira, sobretudo nas regiões do centro e sul do país. Até ao momento, Coimbra, Leiria e Santarém destacam-se como os distritos mais afetados.
Durante a manhã desta segunda-feira, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil contabilizava 143 ocorrências ativas, maioritariamente relacionadas com quedas de árvores e inundações. No terreno estavam mobilizados mais de 1.300 operacionais e cerca de 450 viaturas. Entre os principais impactos registam-se estradas cortadas ou condicionadas, interrupções no transporte ferroviário, encerramento de escolas e falhas nos serviços de eletricidade, água e comunicações.
A circulação ferroviária foi particularmente afetada, com a suspensão do tráfego na Linha do Norte entre Castanheira do Ribatejo e Alverca. A CP alertou ainda para interrupções sem previsão de retoma em várias linhas, incluindo os Urbanos de Coimbra, a Linha do Douro entre Régua e Pocinho, a Linha do Oeste e a supressão de serviços de longo curso entre Braga e Lisboa.
Em Coimbra, as autoridades municipais estão a preparar planos de contingência que incluem a eventual evacuação de populações ribeirinhas do rio Mondego, entre a cidade e a Figueira da Foz. A autarquia já identificou espaços destinados a acolher temporariamente os residentes, caso a situação se agrave.
Na Figueira da Foz, uma grua caiu durante a madrugada sobre vários edifícios na rua Bernardo Lopes, obrigando à retirada preventiva de moradores e ao realojamento de seis pessoas, embora não se tenham registado feridos.
Lisboa e Porto acompanham igualmente com preocupação a subida do nível das águas. No Porto, o caudal do Douro tem aumentado e algumas áreas ribeirinhas encontram-se já submersas, afetando zonas como Miragaia. Na Área Metropolitana de Lisboa, os moradores de Algés, historicamente vulneráveis a cheias, reforçam medidas de proteção dos seus bens.
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, apelou à população para permanecer em casa durante a noite e evitar deslocações desnecessárias, de forma a reduzir riscos num contexto de condições meteorológicas extremas.

