A crise de medicamentos em Angola tem gerado um grande impacto no sistema de saúde do país, deixando muitos hospitais públicos com recursos escassos e comprometendo a saúde de milhares de pacientes. A falta de pagamento às empresas fornecedoras é uma das principais razões que têm contribuído para essa grave situação, colocando em risco a vida de quem depende do atendimento médico público.
Para entender melhor os impactos dessa crise, ouvimos a Ministra da Saúde, Silvia Lutucuta, o Presidente do Sindicato dos Médicos de Angola, Adriano Manuel, e a Presidente da Associação de Doentes Renais, Lurdes Freitas, que compartilharam suas perspectivas sobre o problema.
A escassez de medicamentos, negligência no atendimento e falta de recursos essenciais nos hospitais têm levado a uma situação desesperadora para os pacientes e seus familiares. Muitos relatam que seus entes queridos faleceram não devido às doenças, mas pela falta de cuidados básicos que são cruciais para a sobrevivência. A falta de medicamentos essenciais, como antibióticos e fármacos para tratamentos crônicos, tem tornado o atendimento médico cada vez mais precário.
A situação é tão grave que, em muitos casos, os familiares se veem obrigados a acampar nos hospitais para garantir o mínimo de assistência para seus entes queridos. Apesar do aumento do número de hospitais, a falta de recursos humanos qualificados e comprometidos com o bem-estar dos pacientes só tem agravado a crise.
Recentemente, informações indicaram que o Hospital Central do Lubango, na província da Huíla, enfrenta uma grave falta de medicamentos, reagentes e materiais gastáveis. A situação é considerada uma das piores rupturas de estoque de medicamentos e consumíveis dos últimos cinco anos, com o principal motivo sendo o não pagamento das dívidas às empresas fornecedoras.
De acordo com Maria Lina Antunes, diretora-geral do Hospital Central do Lubango, os fornecedores estão esperando o pagamento desde junho do ano passado. A maioria dos fornecedores tem se recusado a manter os contratos de entrega sem o pagamento devido, o que resultou na escassez de materiais médicos essenciais.
Um dos setores mais afetados por essa falta de medicamentos é o centro de hemodiálise do hospital, que atende pacientes renais. Lurdes Freitas, Presidente da Associação de Doentes Renais, confirmou que a falta de medicamentos e apoio alimentar tem condicionado gravemente a assistência aos pacientes. Muitos não conseguem receber os tratamentos necessários, o que coloca suas vidas em risco.
A crise dos medicamentos em Angola não é apenas um reflexo da falta de recursos financeiros, mas também de uma gestão ineficaz e de uma cadeia de fornecimento comprometida. As dívidas acumuladas com os fornecedores são um obstáculo significativo para a continuidade do tratamento médico adequado nos hospitais públicos.
É fundamental que o governo de Angola tome medidas urgentes para resolver essa situação, garantindo o pagamento das dívidas e restabelecendo o fornecimento contínuo de medicamentos e materiais essenciais. Além disso, é necessário investir na capacitação de recursos humanos e na melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde, para que possam oferecer um atendimento digno e eficaz à população.
Enquanto isso, os pacientes e seus familiares continuam a enfrentar desafios imensos para garantir que os cuidados médicos sejam realizados. A pressão sobre o sistema de saúde público só tende a aumentar se não houver uma ação rápida e decisiva por parte das autoridades responsáveis.