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Quatro anos de guerra: comunidade ucraniana em Portugal vive entre a esperança e a incerteza

by Marcelino Gimbi

Assinalam-se esta segunda-feira quatro anos desde que, a 24 de fevereiro de 2022, a Rússia lançou uma invasão em larga escala sobre a Ucrânia, desencadeando um conflito que continua sem fim à vista. Milhares de civis abandonaram o país nos primeiros meses de guerra e uma parte significativa encontrou refúgio em Portugal.

Desde o início do conflito, Portugal terá acolhido cerca de 60 mil cidadãos ucranianos ao abrigo de mecanismos de proteção temporária, posicionando-se entre os vinte Estados que mais refugiados receberam na União Europeia. Embora se estime que alguns milhares tenham entretanto deixado o país, a maioria permanece, constituindo uma das comunidades estrangeiras mais expressivas em território nacional.

Para muitos, o sentimento de segurança foi determinante na decisão de ficar. Ainda assim, o desejo de regressar e contribuir para a reconstrução do país de origem mantém-se vivo. Representantes associativos indicam que uma parte significativa dos refugiados continua a sonhar com o retorno, sobretudo se houver garantias de estabilidade e integração europeia da Ucrânia.

As tentativas de alcançar um cessar-fogo permanecem marcadas por impasses, sobretudo quanto aos territórios ocupados no leste ucraniano. As divergências entre Kiev e Moscovo continuam a dificultar um entendimento duradouro, alimentando a incerteza quanto ao desfecho da guerra.

Dirigentes da comunidade ucraniana em Portugal consideram que a resolução do conflito está distante, apontando para fatores estratégicos e geopolíticos que ultrapassam o plano militar imediato. A falta de perspetivas claras tem levado parte dos refugiados a ponderar uma permanência prolongada no país de acolhimento.

Nos primeiros meses da guerra, o Estado português implementou um regime simplificado de proteção temporária, permitindo acesso rápido a autorização de residência, número fiscal, segurança social e cuidados de saúde. A medida facilitou a integração inicial de milhares de pessoas que chegavam em situação de grande vulnerabilidade.

É o caso de Mariya Velihotska, natural de Kharkiv, que chegou em março de 2022 com o filho Myron, então com cinco anos. A viagem até Portugal foi feita de carro, poucos dias após o início dos bombardeamentos. O marido permaneceu na Ucrânia, como muitos homens em idade de combate.

Em Portugal, Mariya enfrentou dificuldades de adaptação, incluindo barreiras linguísticas e um período de depressão. Na Ucrânia, geria um negócio de pastelaria; em território português, decidiu retomar a atividade de forma artesanal, vendendo produtos tradicionais através das redes sociais. O filho, hoje integrado na escola e praticante de râguebi, tornou-se um dos principais incentivos para reconstruir a vida.

Quatro anos depois, Mariya descreve a guerra não como um choque imediato, mas como um “peso silencioso” que moldou a sua forma de encarar o quotidiano. Embora mantenha o negócio em Kharkiv, admite que o futuro da família poderá permanecer em Portugal, onde encontrou estabilidade e apoio

Em junho de 2025, os Estados-membros da União Europeia decidiram estender o regime de proteção temporária até março de 2027. A diretiva permite contornar os trâmites tradicionais de asilo, assegurando acesso mais célere a residência, mercado de trabalho, educação e serviços públicos.

Estima-se que cerca de 4,3 milhões de ucranianos estejam atualmente distribuídos por países da UE. Em Portugal, a taxa de integração laboral é apontada como um dos aspetos positivos, com presença em setores diversos, desde indústria e serviços até tecnologia da informação. Persistem, contudo, dificuldades no reconhecimento de qualificações profissionais, especialmente em áreas como saúde e direito.

Além da integração económica, têm sido promovidas iniciativas de apoio psicológico a vítimas diretas da guerra. A Ukrainian Refugees – UAPT desenvolveu recentemente o projeto “Choven – Famílias da Guerra”, destinado a mulheres viúvas e crianças órfãs. O programa incluiu acompanhamento clínico, atividades culturais e ações de capacitação, procurando atenuar traumas e restaurar a esperança.

Segundo os organizadores, os resultados apontam para melhorias nos níveis de ansiedade e depressão das participantes, reforçando a importância de respostas humanitárias integradas.

Quatro anos após o início da guerra, a comunidade ucraniana em Portugal vive entre a expectativa de um regresso possível e a construção de novas raízes. Para alguns, o objetivo continua a ser voltar e ajudar a reconstruir o país. Para outros, a prioridade é garantir estabilidade aos filhos e consolidar o futuro onde encontraram abrigo

Em comum permanece o mesmo desejo: o fim de um conflito que já provocou milhares de mortes e transformou profundamente a vida de milhões de pessoas.

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