Luanda – A educação em Angola continua a enfrentar graves desafios estruturais, com especialistas a alertarem para a necessidade urgente de reformas que garantam qualidade e equidade no acesso à aprendizagem.
Entre as medidas prioritárias sugeridas, destacam-se a reforma dos currículos escolares, considerados ultrapassados e desajustados à realidade sociolinguística do país, onde milhões de crianças não têm o português como língua materna.
Outra recomendação é a redução do número de disciplinas, com maior foco em literacia e numeracia, de modo a assegurar que os alunos concluam o ensino primário com competências sólidas em leitura, escrita e cálculo.
Os especialistas defendem ainda a criação de um sistema nacional de avaliação credível, capaz de medir com rigor os níveis de aprendizagem e corrigir falhas de forma atempada.

Especialistas defendem reformas urgentes no sistema de ensino em Angola
Paralelamente, apelam à mobilização social através de uma Campanha Nacional de Educação, que envolva visitas às escolas, escuta ativa de professores, alunos e pais, e participação comunitária na preservação das infraestruturas.
Segundo os analistas, estas mudanças não exigem “milagres”, mas sim vontade política e definição de prioridades claras.
“É inaceitável que, após 50 anos de Independência, milhares de crianças ainda estudem debaixo das árvores. Elas merecem escolas dignas, professores qualificados e condições básicas para aprender”, sublinham.
A mensagem é clara: sem um compromisso firme com a educação, Angola arrisca comprometer o seu futuro.

