A imprensa pública já não é imprensa… é um refém engravatado. TPA, TV Zimbo, Rádio Nacional de Angola, TV Girassol, Rádio Mais, ANGOP, Jornal de Angola… todos eles parecem mais altares onde se reza o mesmo sermão do regime, repetido até cansar. O teleponto virou Bíblia e os apresentadores, sacerdotes de uma fé política sem direito a dúvida.
Já as privadas, essas, nasceram de cesarianas bem assistidas… cordão umbilical preso às figuras mais íntimas do poder. Um baile privado onde só dança quem tem convite carimbado. Salva-se meia dúzia, sérias e competentes, mas vivem como pequenas ilhas num oceano de censura, navegando à deriva entre ondas de conveniências e tempestades de intimidação.
No fim, o cidadão liga a televisão e descobre que não está a ser informado, mas anestesiado. A notícia já não conta a realidade, ela a disfarça. Em vez de jornalismo, servem teatro político; em vez de pluralidade, um uníssono ensurdecedor. Angola tem imprensa, sim… mas é uma imprensa sequestrada, vestida de gala para o funeral da própria liberdade de expressão.
Artigo de opinião imparcial e sincera do Poeta Ukwanana Defensor dos Direitos Humanos|Estudante do Curso Ciências da Comunicação

