O agravamento do conflito no Irão está a provocar efeitos imediatos no comércio internacional, com aumentos expressivos nos custos do transporte marítimo. Armadores começaram a comunicar, ainda no domingo ao final do dia, novas tabelas de preços que entraram em vigor já esta segunda-feira.
Segundo António Nabo Martins, presidente executivo da Associação dos Transitários de Portugal (APAT), em declarações à imprensa económica, os reajustes foram significativos e, em alguns casos, superiores ao dobro dos valores anteriormente praticados. O responsável explica que “os astros alinharam-se” para uma escalada acentuada dos custos logísticos.
Entre os principais fatores estão a aplicação de sobretaxas para navios que operam em áreas consideradas de risco, como o estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de energia. A par disso, prevê-se uma subida nos prémios de seguro marítimo, refletindo o aumento da instabilidade na região.
Alguns operadores já começaram a rever as suas operações. A dinamarquesa Maersk anunciou a suspensão das travessias pelo estreito de Ormuz, optando por alternativas consideradas mais seguras. Essa decisão poderá implicar percursos mais longos, nomeadamente através do cabo da Boa Esperança, o que aumenta o tempo de viagem e os custos operacionais.
A pressão sobre os preços deverá ainda ser reforçada pelo impacto do conflito no valor dos combustíveis, num contexto em que o transporte marítimo é altamente sensível às oscilações energéticas.
Especialistas do setor admitem que, se a instabilidade se prolongar, os efeitos poderão repercutir-se ao longo da cadeia de abastecimento, com reflexos nos preços finais pagos por empresas e consumidores.

