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Opinião: Quando as cheias chegam, os pequenos produtores pagam o preço mais alto

by Marcelino Gimbi

Quando a chuva cai excessivamente, muitos de nós pensamos em estradas alagadas, casas inundadas e dificuldades para circular. Para o trabalhador urbano, o drama costuma resumirse à perda de alguns bens, danos na casa e obstáculos temporários no caminho para o serviço, situações que, com o salário mensal, tendem a ser superadas ao longo das semanas seguintes.

Bu: Litos Raimundo

Mas, longe dos centros urbanos, há uma realidade silenciosa e profundamente devastadora que raramente ocupa o centro da conversa: o impacto das cheias na vida dos pequenos produtores agrícolas, aqueles que, com o seu trabalho diário, sustentam o sistema alimentar de todo o país.

Para um agricultor familiar, uma cheia não é apenas um fenómeno natural. É acordar e ver a machamba o campo onde plantou milho, arroz ou hortícolas completamente submerso. É ver as recém semeadas sementes arrastadas, o adubo perdido, o trabalho de meses levado pela corrente. É perceber, num só dia, que o plano para alimentar a família e garantir algum rendimento simplesmente deixou de existir

Em muitas comunidades de Moçambique, a agricultura continua dependente quase exclusivamente da chuva. Faltam sistemas de drenagem, não há irrigação adequada, não há reservas de insumos e mecanismos de protecção para quando tudo corre mal. E quando as cheias chegam, o pequeno produtor fica sem nada e, muitas vezes, sem alternativas

O problema não termina quando a água baixa. Sem sementes, sem rendimento e sem apoio imediato, muitos agricultores não conseguem voltar a plantar a tempo. Perde-se uma campanha agrícola inteira. E quando isso acontece em larga escala, todos sentimos as consequências. Há menos alimentos no mercado, os preços sobem e a insegurança alimentar aumenta.

As respostas de emergência são essenciais e salvam vidas. Mas não chegam para garantir o amanhã. Sem apoio para retomar a produção, o agricultor continua vulnerável, à espera da próxima chuva e do próximo desastre, preso num ciclo de perdas que se repete a cada estação chuvosa.

As cheias que enfrentamos hoje revelam uma verdade incontornável: o nosso sistema alimentar é frágil. Falta preparação antes da crise e falta apoio consistente depois dela. E isso pode e deve mudar.

Precisamos investir agora em soluções que já sabemos que funcionam: sementes mais resistentes e adaptadas ao clima, práticas agrícolas inteligentes e regenerativas, serviços de extensão rural eficazes, mecanismos simples e acessíveis de apoio financeiro, infraestruturas. Básicas que protejam a produção (reservas). Isto pode fazer a diferença entre um pequeno agricultor desistir ou recomeçar com sucesso

Em vários pontos do país, a experiência mostra que, quando os pequenos produtores têm acesso às ferramentas certas, recuperam mais rápido e voltam a produzir. É esta visão que organizações como a AGRA têm defendido, uma agricultura mais preparada para enfrentar choques climáticos e que coloca o agricultor no centro das soluções.

Num país onde a maioria das famílias depende directa ou indirectamente da agricultura, proteger os pequenos produtores não é caridade, é uma necessidade primária e fundamental.

As cheias vão continuar a acontecer. A diferença estará em saber se vamos continuar a assistir às perdas ano após ano ou se vamos, finalmente, investir para que quem produz a nossa comida tenha condições de resistir e recomeçar.

Quando as cheias chegam, os pequenos produtores pagam o preço mais alto. A pergunta é simples: até quando?

Litos Raimundo é Director Nacional da AGRA em Moçambique.

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