Mota-Engil lucra 133 milhões em 2025 e atinge carteira recorde de 16,2 mil milhões
A Mota-Engil encerrou 2025 com um lucro de 133 milhões de euros, um crescimento de 9% face aos 123 milhões registados no ano anterior, alcançando o melhor resultado da sua história.
Em comunicado divulgado ao mercado, o grupo liderado por Carlos Mota dos Santos informou que o volume de negócios recuou 11%, passando de 5.951 milhões para 5.301 milhões de euros. A empresa considera esta descida expectável, apontando atrasos na adjudicação de projetos em Portugal, devido a alterações políticas resultantes de processos eleitorais, bem como o habitual período de transição governativa no México no primeiro ano de mandato presidencial. A comparação com 2024 foi ainda influenciada pela alienação da operação na Polónia, que nesse ano tinha contribuído com 119 milhões de euros em faturação.
Apesar da quebra nas receitas, o EBITDA cresceu 4%, atingindo um valor recorde de 979 milhões de euros, com uma margem histórica de 18%.
Carteira de encomendas bate novo máximo
A carteira de encomendas alcançou 16,2 mil milhões de euros, o valor mais elevado de sempre. Os mercados considerados “core” representam 72% do total, com destaque para México (22%), Angola (18%), Portugal (12%) e Nigéria (8%).
Este montante ainda não incorpora o contrato para a concessão do túnel Santos-Guarujá, no Brasil, no valor de 1.255 milhões de euros, nem a recente designação da empresa para executar o troço ferroviário entre Contumil e Ermesinde, em Portugal, num investimento de 115 milhões.
O rácio de dívida líquida sobre EBITDA manteve-se abaixo de duas vezes, alinhado com os objetivos estratégicos definidos até 2026. A empresa sublinha que este desempenho foi apoiado por disciplina financeira, com o investimento (Capex) fixado em 7% do volume de negócios, conforme planeado.
África impulsiona crescimento
Por regiões, África destacou-se com um aumento de 22% na faturação, para 2.129 milhões de euros. O EBITDA nesta geografia subiu 25%, para 565 milhões, com uma margem de 27%, impulsionada sobretudo pelo crescimento de 73% no segmento de Engenharia Industrial, reforçando a posição do grupo entre os principais operadores mundiais de “contract mining”.

Mota-Engil lucra 133 milhões em 2025 e atinge carteira recorde de 16,2 mil milhões
Já na América Latina, onde o México é o maior mercado da construtora, o volume de negócios recuou 33%, para 2.006 milhões de euros, mantendo uma margem EBITDA de 11%. A empresa antecipa retoma do crescimento já em 2026, apoiada em novos contratos ferroviários no México e em projetos no Brasil, nomeadamente na área de “oil & gas” e na concessão do túnel Santos-Guarujá.
No segmento de Ambiente, a faturação cresceu 15%, para 652 milhões de euros, com margem EBITDA de 23%.
Novo plano estratégico em março
Para 2026, a Mota-Engil projeta um crescimento do volume de negócios entre 10% e 15%, sustentado pela execução da carteira recorde e pela aceleração de projetos de grande dimensão nos seus principais mercados. A margem EBITDA deverá manter-se em torno dos níveis atuais, enquanto a margem líquida é estimada em cerca de 3%.
O grupo prevê ainda manter o rácio de dívida líquida/EBITDA abaixo de duas vezes e estabilizar o investimento em 7% do volume de negócios.
O novo Plano Estratégico 2026-2030 será apresentado em Lisboa no próximo dia 11 de março, durante o primeiro Capital Markets Day da empresa.

