O empresário moçambicano Dado Gulamhussen defende que o turismo deve ser assumido como uma indústria estruturante em Moçambique, capaz de impulsionar o crescimento económico e social, desde que apoiado por uma estratégia integrada e sustentável.
By: Arson Armando
Falando em entrevista ao MZNews, Gulamhussen destacou que o país possui um potencial turístico significativo ainda pouco explorado, incluindo recursos naturais, património histórico e uma extensa costa marítima.
“Moçambique tem um potencial do qual as pessoas ainda não têm noção. O país ainda tem muito a oferecer”, afirmou, sublinhando a existência de reservas naturais, parques, águas termais e mais de 2.500 quilómetros de litoral, grande parte ainda virgem.
Com uma ligação histórica ao sector, o empresário recordou que a sua relação com o turismo remonta à herança familiar. Descendente de uma família com origens na antiga Pérsia, estabelecida na Ilha de Moçambique no século XIX, Gulamhussen cresceu num ambiente ligado ao comércio, à actividade empresarial e à vida pública.
Após os Acordos de Paz de 1994, o Grupo VIP, já presente em Portugal, expandiu-se para Moçambique, iniciando a construção da sua primeira unidade hoteleira em 1997. O empreendimento, VIP Grand Maputo, foi inaugurado em 2002 pelo então Presidente da República, Joaquim Chissano.
Gulamhussen acompanhou o projecto desde jovem, tendo posteriormente consolidado a sua formação em Administração de Empresas, com especialização em Turismo Internacional. Ao regressar ao país, integrou o Grupo VIP, onde passou por diversas áreas até assumir funções de administração. Actualmente, o grupo opera quatro unidades hoteleiras nas cidades de Maputo, Beira e Tete.
Além da sua actuação no país, o empresário preside à Comissão Especializada de Hotelaria e Restauração da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), o que, segundo afirma, lhe permite acompanhar diferentes modelos de desenvolvimento do sector.
Na sua análise, o turismo deve ser encarado como uma cadeia de valor abrangente, envolvendo não apenas a hotelaria, mas também actividades culturais, guias turísticos, restauração e serviços complementares.
“O turismo é muito mais do que gerir hotéis. É uma indústria que envolve múltiplos intervenientes e sectores”, explicou.
Entre os principais desafios para o crescimento do sector, Gulamhussen destacou a necessidade de melhoria das infra-estruturas, incluindo vias de acesso, serviços de saúde adequados para turistas, formação de recursos humanos e reforço da segurança.
Defendeu ainda a importância de uma maior coordenação institucional e de vontade política para evitar sobreposições e garantir um ambiente favorável ao investimento.
O empresário reconheceu que o turismo em Moçambique foi afectado, nos últimos anos, por diversas crises, incluindo o escândalo das dívidas ocultas, a pandemia da covid-19, fenómenos climáticos extremos e tensões sociais, além de impactos externos relacionados com conflitos internacionais.
Apesar disso, considera que o país está em processo de recuperação e defende uma visão de longo prazo para o sector, baseada na valorização de competências nacionais e na formação de uma cultura turística sustentável.
“O país deve apostar nas pessoas que conhecem o sector e criar condições para que possam contribuir para o seu desenvolvimento”, afirmou.
Para além da actividade empresarial, Gulamhussen está envolvido em acções de carácter social e é membro fundador da Associação Moçambicana de Jovens Empresários Muçulmanos, reforçando o seu compromisso com o desenvolvimento do país.

