O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio ao eventual encerramento das bases militares norte-americanas de Rota e Morón, em Espanha, alinhando-se com vozes no Congresso que defendem a retirada dessas infraestruturas. A posição surge num contexto de crescente tensão entre Washington e alguns aliados europeus, sobretudo devido ao conflito no Médio Oriente.
A declaração foi feita após o senador Lindsey Graham sugerir a relocalização de meios militares para países considerados mais confiáveis em situações críticas. Trump reforçou essa ideia, agravando o tom das críticas dirigidas a parceiros internacionais.
Nos últimos tempos, o líder norte-americano já tinha pressionado Espanha, inclusive com ameaças comerciais, devido à recusa do governo liderado por Pedro Sánchez em autorizar o uso de bases militares em operações relacionadas com o Irão, bem como pela resistência em aumentar os gastos com defesa.
Entretanto, a visita do embaixador dos Estados Unidos em Espanha, Benjamin León Jr., à base naval de Rota gerou dúvidas sobre o estado das relações bilaterais, sem clarificar se há um afastamento ou apenas uma reavaliação estratégica.
No seio da OTAN, as divergências tornam-se mais evidentes. Desde o início da ofensiva contra o Irão, os Estados Unidos têm pressionado os aliados a colaborar militarmente, mas a maioria tem evitado envolvimento direto. Trump chegou mesmo a classificar alguns parceiros como “cobardes”, questionando a eficácia da aliança sem o apoio norte-americano.
Uma exceção surgiu no Reino Unido, onde o governo de Keir Starmer autorizou o uso de bases para operações defensivas no estreito de Ormuz. A decisão foi criticada por Abbas Araqchi, que alertou para possíveis consequências.
Por outro lado, Espanha mantém a posição de não envolvimento direto no conflito, limitando-se a contribuir com meios navais no Mediterrâneo. O país também iniciou a retirada dos seus militares destacados no Iraque, numa operação considerada complexa pelas autoridades.
No terreno, o conflito intensifica-se. Israel anunciou novos ataques a alvos em Teerão, enquanto o Irão respondeu com lançamentos de mísseis. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, admitiu a possibilidade de uma ofensiva terrestre, aumentando a incerteza sobre a evolução da guerra.
Trump, por sua vez, afastou a hipótese de um cessar-fogo imediato, argumentando que não faz sentido interromper operações militares quando há vantagem no terreno.
Além da escalada militar, o conflito tem impactos económicos relevantes. O encerramento do estreito de Ormuz tem pressionado os preços do petróleo nos mercados internacionais. Em resposta, o governo espanhol anunciou medidas de mitigação, incluindo apoios financeiros e redução de impostos sobre energia, com o objetivo de aliviar o impacto junto dos consumidores.

