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Club-K e Intelwatch pecam pelo rigor ao atacar Ministério do Interior

by Marcelino Gimbi

É lamentável constatar que os portais Club-K e a ONG Intelwatch voltaram a publicar informações sem o mínimo de rigor jornalístico ao atacar o Ministério do Interior. Basta olhar para as datas dos factos citados para perceber que nada têm a ver com o atual Ministro, Manuel Homem.

Segundo pesquisa feita, todos contratos como o de passaportes e o projecto de biometria foram celebrados em 2023, só para o projecto de biometria, executado pelo consórcio T4B e Dolinveste, o auto de consignação, só deu lugar em 2025, mas quem entende destas matérias percebe para se chegar a consignação tudo tem de ser preparado lá atrás.

Pelo contrário, desde que assumiu a pasta, Manuel Homem tem dado outro rosto à instituição: mais proximidade com as populações, mais combate à corrupção e mais abertura ao diálogo. Reduzir todo o trabalho a ataques descontextualizados é fazer pouco do esforço de quem está no terreno.

Fica evidente que se trata de uma encomenda. O timing não é coincidência: o MPLA está a preparar o seu congresso e as figuras mais bem posicionadas junto das populações serão fortemente atacadas. O Ministro do Interior é apenas o primeiro exemplo, mas não será o único. Outras figuras do MPLA que têm entregado resultados e gozam de prestígio popular também já estão na mira dessa campanha.

Num momento em que o país precisa de debate sério, o que se espera da imprensa é verificação, contexto e responsabilidade. Atirar lama com base em datas que não batem certo não informa, apenas manipula.

Quem ganha com isso? Certamente não é o cidadão.

A Intel Watch é uma organização não-governamental sul-africana, fundada em 2022, entre as figuras associadas à Intelwatch encontram-se profissionais como Paula Cristina Roque, que dirigiu a Intelwatch entre 2024 e 2026 e integra actualmente o conselho da referida organização. Em política, não há coincidências, importa ter alguma cautela na avaliação da sua alegada neutralidade em relação à realidade política angolana. Existem elementos públicos que evidenciam uma forte proximidade intelectual, familiar e histórica de Paula Cristina Roque com a UNITA.

Numa entrevista, a própria Roque explicou que a sua ligação à UNITA está também relacionada com o percurso da sua mãe, Fátima Roque, e afirmou ter “uma admiração imensa pela história da UNITA”. Na mesma ocasião, apresentou avaliações bastante favoráveis sobre determinadas figuras e momentos da trajectória da UNITA, ao mesmo tempo que formulou críticas muito duras à governação do MPLA.

Esta relação não se limita, contudo, ao plano familiar. A produção académica de Paula Cristina Roque está igualmente muito ligada ao estudo da UNITA. No livro Insurgent Nations: Rebel Rule in Angola and South Sudan, publicado pela Oxford University Press, dedica uma parte importante da investigação à organização política e às estruturas de governação da UNITA em Jamba.

Portanto, a matéria do Club-k demonstra um alinhamento com a Intelwatch e uma espécie de encomenda para atacar o Ministro do Interior que demonstra autoridade e um dinamismo dentro da instituição que dirige e sobretudo a sua facilidade na comunicação com os diferentes segmentos da população angolana.

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