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Sector florestal aposta na revitalização com novo plano estratégico da FEDEMOMA

Sector florestal aposta na revitalização com novo plano estratégico da FEDEMOMA

by Marcelino Gimbi

Num contexto marcado por desafios estruturais e pela crescente pressão sobre os recursos naturais, o sector florestal moçambicano dá sinais de reorganização e ambição renovada. A apresentação do “Draft Zero” do Plano Estratégico da Federação Moçambicana de Madeireiros (FEDEMOMA) surge como um marco nesse processo, reunindo actores públicos e privados em torno de uma visão comum para o futuro.

By: Arson Armando

Durante a cerimónia, o Director Nacional de Florestas, Imede Falume, destacou o simbolismo do momento, classificando a proposta como um reflexo de maturidade institucional e compromisso com a sustentabilidade do sector. O responsável sublinhou a disponibilidade da Direcção Nacional de Florestas e Fauna Bravia (DNFFB) para apoiar a implementação do plano, reforçando a necessidade de uma acção concertada.

Os dados apresentados no diagnóstico revelam um cenário preocupante. Em menos de uma década, o volume de madeira exportada caiu drasticamente, passando de 505 mil metros cúbicos em 2015 para apenas 64 mil em 2023. Paralelamente, o número de operadores formais reduziu-se quase para metade, evidenciando as dificuldades enfrentadas pela indústria.

A informalidade, particularmente visível nos mercados de Pemba e Nampula, surge como um dos principais entraves. Grande parte da madeira comercializada nestas praças tem origem na serragem manual ilegal, uma prática que compromete não só a sustentabilidade ambiental, mas também a competitividade do sector formal.

Perante este cenário, a aposta na capacitação ganha centralidade. O plano estratégico da FEDEMOMA propõe a formação dos seus membros em áreas-chave como gestão financeira, silvicultura, maneio florestal, colheita, processamento e enquadramento legal. A DNFFB compromete-se a apoiar esta componente com instrumentos técnicos concretos, incluindo guiões para inventários e planos de maneio, alinhados com o Decreto n.º 78/2024.

Outro eixo fundamental é a valorização das condições de trabalho. A segurança e saúde ocupacional são apontadas como elementos indispensáveis para a dignificação da actividade, exigindo a adopção de práticas efectivas, desde o uso de equipamentos de protecção até à formação contínua dos trabalhadores.

No combate à ilegalidade, o discurso foi claro: é necessário reforçar a coordenação entre instituições e operadores. Práticas como o uso de “licenças alugadas” e irregularidades nas guias de trânsito continuam a fragilizar o sistema. Como resposta, destacam-se medidas como o zoneamento florestal, a fiscalização participativa e a implementação de mecanismos de rastreabilidade, incluindo a selagem da madeira.

A digitalização surge como uma das grandes apostas para aumentar a transparência. O Sistema de Informação Florestal (SIF) deverá centralizar processos como licenciamento, certificação e emissão de guias, reduzindo a intervenção humana e, consequentemente, as oportunidades para irregularidades.

Apesar da ambição do plano — estimado em cerca de dois milhões de dólares ao longo de dez anos — persistem limitações financeiras significativas. O contexto fiscal do país restringe a capacidade de financiamento público, obrigando a uma maior mobilização de investimento privado e parcerias estratégicas.

Ainda assim, há espaço para avanços. Entre as medidas em análise estão a simplificação de प्रक्रessos administrativos, a harmonização de certificações para exportação e a criação de instrumentos que incentivem o uso de madeira nacional em compras públicas. Questões como o acesso ao crédito e a revisão de بعض taxas exigirão, no entanto, diálogo interinstitucional mais amplo.

O plano aponta também para novas oportunidades, como a certificação florestal, a criação de entrepostos comerciais, o desenvolvimento de plataformas digitais de promoção de produtos e a participação no emergente mercado de carbono — áreas que poderão redefinir o posicionamento do sector no médio e longo prazo.

Mais do que um documento estratégico, o “Draft Zero” representa um convite à acção colectiva. Entre desafios persistentes e oportunidades emergentes, o futuro do sector florestal moçambicano dependerá, em larga medida, da capacidade de articulação entre Estado, operadores e parceiros de desenvolvimento.

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