A União Europeia manifestou forte condenação à repressão das autoridades iranianas contra manifestações populares que eclodiram em várias cidades do país, considerando a resposta das forças de segurança “desproporcionada” e incompatível com o direito à reunião pacífica.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, afirmou que as imagens provenientes de Teerão revelam uma atuação excessiva das autoridades face a protestos maioritariamente pacíficos. Segundo a responsável europeia, ao ignorar as reivindicações da população, o regime iraniano expõe a sua verdadeira postura perante os direitos dos cidadãos.
Também a Comissão Europeia demonstrou preocupação com o número crescente de mortos e feridos registados desde o início dos protestos, exigindo às autoridades iranianas o respeito pelos direitos fundamentais, em particular a liberdade de expressão e de reunião. Um porta-voz da instituição sublinhou que os manifestantes estão a expressar uma aspiração legítima a melhores condições de vida.
Questionada sobre um eventual apoio europeu a uma mudança de regime no Irão, a Comissão esclareceu que essa não é a posição oficial da União Europeia, reiterando que a sua política em relação a Teerão não inclui a promoção direta de uma alteração do sistema político.
Os protestos tiveram início a 28 de dezembro, motivados pelo agravamento da situação económica, marcado por elevada inflação, desvalorização da moeda e dificuldades crescentes para a população. Com o passar dos dias, as manifestações ganharam um tom mais político, com slogans dirigidos diretamente contra a liderança do país e o regime teocrático.
Em resposta, o líder supremo iraniano, ayatollah Ali Khamenei, afirmou que o governo não recuará e prometeu uma atuação sem clemência, acusando os manifestantes de agirem ao serviço de interesses estrangeiros. Dados de organizações de defesa dos direitos humanos indicam que, desde o início dos protestos, pelo menos 42 pessoas morreram e mais de duas mil foram detidas.
A tensão agravou-se após declarações de Reza Pahlavi, filho do último xá do Irão, que apelou aos iranianos para continuarem a lutar pela liberdade e instou os líderes europeus a assumirem uma posição mais firme em apoio aos manifestantes. Na sequência dessas declarações, as autoridades iranianas restringiram o acesso à Internet e às comunicações internacionais, medida que gerou ainda mais críticas no plano internacional.
Diversos líderes europeus reagiram publicamente à situação. A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, elogiou a coragem da população iraniana e criticou a dureza de um regime que, segundo disse, privilegia a sua própria sobrevivência. O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, e o chefe do governo sueco, Ulf Kristersson, expressaram solidariedade com os manifestantes, defendendo que as exigências por liberdade não podem ser silenciadas pela violência. Já o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros apelou ao respeito pelas obrigações internacionais em matéria de direitos humanos.
Por sua vez, a missão iraniana junto da União Europeia rejeitou as críticas, classificando-as como interferência nos assuntos internos do país e acusando a Europa de adotar uma postura de dois pesos e duas medidas, ao comparar a reação aos protestos no Irão com a resposta europeia a outros conflitos internacionais.
As manifestações ocorrem num contexto particularmente sensível para o Irão, marcado por recentes tensões militares com Israel, ataques às suas infraestruturas nucleares e o restabelecimento de sanções internacionais devido ao incumprimento de compromissos ligados ao programa nuclear.

