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Exército em colapso: luxo no poder, miséria nas fileiras das Forças Armadas Angolanas

by Marcelino Gimbi

Entre quartéis degradados, munições destruídas e soldados sem fardas, Angola celebra meio século de independência com um exército enfraquecido e desamparado. Enquanto a elite política exibe pompa e luxo nas comemorações, as Forças Armadas Angolanas (FAA) enfrentam um cenário de abandono generalizado — sem alojamentos adequados, meios logísticos ou condições mínimas de dignidade.

A celebração dos 50 anos de Independência expôs o contraste entre a ostentação do poder e a dura realidade dos militares. A classe dirigente desfila em festas e cerimónias patrióticas, enquanto milhares de soldados vivem em condições sub-humanas.

De acordo com dados apurados pelo portal “Maka Angola”, a maioria dos mais de 120 mil efetivos** das FAA sobrevive em quartéis improvisados e sem infraestruturas básicas. Em muitas unidades, falta água potável, alimentação regular e transporte.

Desde 1975, contam-se pelos dedos as infraestruturas militares construídas de raiz. A exceção é a Unidade do Vale do Paraíso, em Caxito, erguida para operações de apoio à paz. Quartéis modelo construídos em 2009, no Mavinga e Likua, estão hoje praticamente abandonados. O mesmo destino teve o quartel iniciado no Negage há cinco anos.

Em 2025, as FAA registaram dois incêndios de grandes proporções em paióis de munições. O primeiro, em janeiro, destruiu 12 depósitos no Kwanza-Norte. O segundo, em abril, atingiu seis naves da Unidade de Reserva do Estado-Maior General, em Cacuaco (Luanda).

As causas nunca foram oficialmente esclarecidas. As autoridades atribuíram os incidentes ao “mau acondicionamento” das munições — reflexo direto da degradação das instalações e da falta de planeamento militar.

Entre 2021 e 2025, o Estado destinou entre 7% e 9% do Orçamento Geral do Estado (OGE) à Defesa, Segurança e Ordem Pública, totalizando cerca de 8,9 mil milhões de kwanzas. Ainda assim, os soldados continuam sem fardas, botas ou alimentação adequada.

Paradoxalmente, o Governo gastou mais do que o previsto nesta rubrica, enquanto Educação e Saúde receberam menos do que o orçamentado. “O regime corta na escola e no hospital, mas nunca no quartel — mesmo que o quartel esteja a ruir”, lamenta uma fonte militar.

Em algumas regiões, como “Malanje”, o comando militar opera em casas confiscadas, sem estrutura adequada. Na 21.ª Brigada de Camaxilo (Lunda-Norte), os soldados vivem em barracas de chapa, percorrem cinco quilómetros por dia para buscar água e protestaram, em junho, durante a visita do chefe do Estado-Maior-General, general Altino Carlos dos Santos.

Segundo fontes internas, o moral da tropa está em colapso. Faltam camas, cobertores, casas de banho e refeitórios funcionais. “Sem meios básicos, nenhum comandante conquista a confiança dos seus homens”, explica um oficial.

A alimentação é fornecida de forma irregular e de qualidade duvidosa. Além disso, 90% do orçamento das FAA é gasto em salários, o que limita qualquer investimento em equipamentos, fardamento ou formação.

“Uma força de 70 mil homens bem treinados e equipados seria mais eficaz do que os atuais 100 mil”, defende uma fonte militar. O problema agrava-se porque a taxa de reforma de oficiais supera a de substituição, o que ameaça o futuro da instituição.

Apesar do orçamento recorde para a Defesa, não há sinais de modernização. Fardas novas são distribuídas apenas em eventos presidenciais — como ocorreu antes da inauguração da Refinaria de Cabinda — para “compor a fotografia”.

Entre 2014 e 2017, João Lourenço foi ministro da Defesa e prometeu reformas. Hoje, como Presidente, mantém o maior orçamento nacional na Defesa, mas sem resultados concretos.

“Temos um poder que destrói, com soberba e corrupção, o pilar da sua própria estabilidade: as Forças Armadas”, resume um analista militar.

O general Altino Carlos dos Santos, chefe do Estado-Maior-General, recebe cerca de 1,25 milhões de kwanzas mensais (aproximadamente 1.300 dólares) — seis vezes menos do que o chefe do refeitório de uma fábrica privada em Luanda. Já um soldado angolano ganha 117 mil kwanzas por mês.

“Quando o Estado paga mais a um chefe de refeitório do que ao comandante das FAA, está tudo dito”, conclui a mesma fonte.

A degradação das Forças Armadas Angolanas simboliza o fosso crescente entre a elite dirigente e o povo. Cinquenta anos após a independência, o país celebra a liberdade com um exército em ruínas — e uma nação cada vez mais dividida entre o luxo do poder e a miséria dos que o defendem.

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