A combinação de corrupção, fragilidade institucional e instabilidade política está a afastar investidores de Angola, num momento em que o país mais necessita de capital para revitalizar o setor petrolífero, em declínio. O alerta é lançado por especialistas angolanos, entre os quais membros da JMPLA, e reforçado por ex-governantes que defendem maior estabilidade e transparência.
Nas últimas semanas, o debate sobre a atratividade de Angola voltou ao centro da agenda pública. Diversos analistas — entre eles Damárcio dos Santos, Miguel Kizua e Manuel Ndundu — apontam que a falta de previsibilidade jurídica e política, aliada à corrupção, tem levado investidores a procurar mercados mais seguros.
“Sem mecanismos claros de fiscalização e garantias contratuais, o capital estrangeiro foge. O risco é demasiado alto”, afirmou Miguel Kizua, defendendo reformas urgentes na governança pública.
Damárcio dos Santos, por sua vez, alerta para a queda na produção petrolífera e a necessidade urgente de modernização das infraestruturas. Segundo o especialista, sem investimentos consistentes e regras transparentes, o setor continuará em retração, com impacto direto nas receitas do Estado e no emprego.
Angola, cuja economia continua dependente do petróleo, enfrenta desafios técnicos e institucionais que comprometem a produtividade. Para inverter o quadro, os especialistas defendem:
- Modernização de plataformas e campos maduros;
- Revisão de contratos e garantias jurídicas sólidas;
- Financiamento de tecnologias que aumentem a eficiência;
- Reestruturação das cadeias de fornecimento locais.
Sem estas medidas, alertam, o país corre o risco de agravar a perda de receitas e credibilidade junto dos parceiros internacionais.
A preocupação não se limita ao meio académico. O ex-ministro das Obras Públicas, José Silva, defendeu à ANGOP que a estabilidade política e a segurança jurídica são “condições indispensáveis” para atrair investimento estrangeiro.
Na mesma linha, o Presidente João Lourenço reconheceu recentemente que o ambiente de negócios ainda apresenta falhas, garantindo que o Executivo continuará a trabalhar para torná-lo mais favorável.
Corrupção mina a confiança
A corrupção continua a ser apontada como o principal obstáculo ao investimento. Falhas na gestão de contratos e falta de transparência em concursos públicos criam um ambiente de incerteza e desconfiança.
Esse cenário gera um ciclo vicioso: menos investimento implica menos receitas, o que reduz a capacidade do Estado de investir em infraestruturas e reforça práticas informais, afastando ainda mais o capital estrangeiro.
Entre as soluções apresentadas pelos analistas estão:
- Garantir segurança jurídica estável nos contratos;
- Reforçar instituições de fiscalização e auditoria;
- Assegurar transparência em concursos e contratos públicos;
- Promover combate efetivo à impunidade;
- Criar incentivos à modernização do setor petrolífero, com transferência de tecnologia e emprego local.
A análise de Israel Campos, apoiada nas vozes de Damárcio dos Santos, Miguel Kizua e Manuel Ndundu, reflete um consenso crescente: sem reformas institucionais e combate real à corrupção, Angola continuará a perder investidores e oportunidades de desenvolvimento.
O reconhecimento das falhas pelo próprio Presidente e por antigos membros do Governo indica que há consciência do problema — e, possivelmente, uma janela de oportunidade para uma nova etapa de reformas estruturais e recuperação económica.

