Nova Iorque – O Presidente da República de Angola e atual líder em exercício da União Africana (UA), João Lourenço, participou este fim de semana na Mesa Redonda de Alto Nível de Diálogo entre as Nações Unidas e a União Africana, realizada em Nova Iorque, com a presença do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, da Secretária-Geral Adjunta, Amina Mohamed, e do Presidente da Comissão da UA, Mahamoud Ali Youssouf, além de representantes do sector privado africano.
No encontro, o Chefe de Estado destacou a importância de mobilizar o sector privado como motor da transformação económica do continente, sublinhando a necessidade de criar um ambiente de negócios que favoreça o investimento, o acesso ao capital e a inovação
Segundo João Lourenço, África tem hoje condições únicas para atrair investimentos, sustentadas nos abundantes recursos naturais, na sua população jovem e dinâmica e num mercado consumidor em rápido crescimento. Referiu ainda que iniciativas como a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), que integra mais de 1,3 mil milhões de consumidores e um PIB superior a 3 biliões de dólares, representam uma das maiores oportunidades para impulsionar a industrialização e o crescimento inclusivo do continente.
O Presidente defendeu também uma mudança no modelo de investimento, historicamente concentrado nas indústrias extrativas, para uma aposta em cadeias de valor produtivas, agroindustriais e na mineração com maior incorporação de valor acrescentado. Para João Lourenço, esse caminho permitirá criar emprego qualificado, fortalecer a competitividade regional e reter riqueza em África.
Outro ponto sublinhado pelo líder angolano foi a relevância das Parcerias Público-Privadas (PPP) como instrumento essencial para o financiamento e modernização de infraestruturas críticas nos setores da energia, transportes, telecomunicações e água, reduzindo a pressão sobre os orçamentos públicos e acelerando o acesso a serviços básicos.
João Lourenço concluiu afirmando que África deve ser vista não apenas como fornecedora de matérias-primas, mas como “a nova fronteira da transformação produtiva, da inovação tecnológica e da competitividade global”, alinhada com a visão estratégica da Agenda 2063 da União Africana.

