Luanda — Teve início esta sexta-feira (29.08) a Convenção Nacional do Bloco Democrático (BD), que decorre até domingo (31.08), em Luanda. O encontro deverá definir a nova liderança do partido e orientar a sua estratégia política para os próximos anos, incluindo a forma de participação nas eleições gerais de 2027.
Ao contrário de outros partidos, em que apenas o presidente é eleito e os restantes cargos são nomeados, no BD os principais órgãos dirigentes são escolhidos por votação direta. Assim aconteceu em 2021 e será novamente o caso nesta convenção.
Filomeno Vieira Lopes, atual presidente, é o único candidato à sua própria sucessão. Para a vice-presidência disputam Nelson Pestana “Bonavena” e Américo Vaz, enquanto Mwata Sebastião recandidata-se ao cargo de secretário-geral, que já exerce desde 2021.
Segundo Filomeno Vieira Lopes, a estrutura interna do partido garante independência entre os órgãos, mas também coordenação e colaboração.
Nelson Pestana “Bonavena” defende um reforço da democracia interna, sobretudo ao nível local, incentivando maior envolvimento dos militantes em organizações da sociedade civil. Já Américo Vaz, o outro candidato à vice-presidência, sublinha a necessidade de o BD afirmar-se como alternativa real ao MPLA, no poder desde 1975.
Quanto à secretaria-geral, Mwata Sebastião afirma reunir “condições físicas, mentais e morais” para continuar a liderar o órgão, destacando a importância de o partido conquistar reconhecimento eleitoral próprio, seja concorrendo sozinho ou em coligação.
Observadores consideram que a convenção poderá ser decisiva para clarificar se o BD seguirá integrado na Frente Patriótica Unida (FPU), plataforma que em 2022 elegeu 90 deputados ao integrar a UNITA e o PRA-JA Servir Angola. O partido já tinha participado, em 2017, na CASA-CE.
A forma como o Bloco Democrático se posicionará para 2027 é vista como uma das principais expectativas em torno desta convenção.

