Luanda – Um caso de alegada negligência médica no Hospital do Capalanca, localizado no Município do Kilamba Kiaxi, está a gerar forte comoção em Luanda. Uma família, que preferiu manter o anonimato, acusa a unidade de saúde pública de ter recusado a realização de uma cesariana de emergência, o que teria resultado na morte de um recém-nascido.
O episódio ocorreu na noite de 26 de junho. De acordo com o testemunho do pai da criança, a sua esposa deu entrada no hospital por volta das 18 horas, já em trabalho de parto. Com o agravamento das dores durante a noite, a parturiente teria suplicado por uma cesariana, mas o médico de serviço recusou o procedimento.
“O cirurgião afirmou estar cansado e que já havia feito várias operações naquele dia. A dor da minha esposa foi ignorada e, com ela, a vida do nosso filho”, relatou o marido, visivelmente abalado.
Apenas na manhã seguinte, por volta das 8h, um enfermeiro alertou novamente sobre o estado crítico da paciente, levando à realização do parto. No entanto, o bebé já apresentava sinais de síndrome de aspiração de mecónio, uma condição grave geralmente causada por demora no parto. Poucas horas após o nascimento, a criança não resistiu.
De acordo com a família, a administração do hospital alegou que a paciente teria recusado a intervenção cirúrgica — versão que os familiares consideram uma distorção dos factos, com o objetivo de isentar os profissionais de qualquer responsabilidade.
“É uma inversão cruel da realidade. A nossa dor não pode ser minimizada por justificações que não condizem com o que vivemos. Queremos justiça, não vingança”, afirmam em nota.
A tragédia reacende o debate sobre a qualidade do atendimento nas unidades de saúde pública em Angola, em particular no que se refere à prestação de cuidados materno-infantis e à responsabilização dos profissionais em casos de negligência médica.
A família da vítima dirigiu ainda um apelo direto à Ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, exigindo ações concretas para evitar que situações semelhantes se repitam:
“Quantas famílias terão de enterrar os seus filhos antes que se imponha responsabilidade nas instituições hospitalares públicas?”, questionam.
A redação tentou contactar o Ministério da Saúde para obter uma resposta oficial, mas até o momento não obteve retorno. O caso continua a ser amplamente discutido nas redes sociais e entre defensores dos direitos dos pacientes, que pedem uma investigação rigorosa e medidas urgentes.

