Atribuem ao líder do MPLA, João Manuel Gonçalves Lourenço, a realização ainda este ano de um congresso extraordinário que poderá contar com a entrada de dois nomes no Bureau Político: Ana Dias Lourenço,  esposa do presidente, e Ernesto Manuel Norberto Garcia, atual Diretor do Gabinete de Ação Psicológica e Informação da Casa de Segurança. Ambos são membros do Comitê Central.

Fonte: Club-k.net 

Apesar das limitações de acções de um Congresso Extraordinário, João Lourenço estaria desejoso de organizar o partido para as eleições de 2027. A elevação de Norberto Garcia para o BP do MPLA é vista como uma reintegração, uma vez que ele saiu desse órgão, onde foi o último porta-voz de JES, devido a problemas com a justiça. A segunda argumentação é que, ao elevá-lo, poderá corresponder a apelos sugerindo a promoção de Norberto Garcia para chefiar o MPLA em Luanda, deixando o governador Manuel Homem ocupado unicamente com os destinos da província de Luanda.

Ana Dias Lourenço, que aos 67 anos de idade,  poderá ser elevada ao BP do MPLA, é uma veterana do partido que ascendeu por mérito próprio, desde sua passagem pela JMPLA. Esteve presa nos massacres do “27 de maio” e depois foi reabilitada politicamente, sendo colocada no Ministério do Plano, onde ascendeu ao cargo de ministra, posição que ocupou por vários anos. No governo, já ocupou diversos cargos de direção, faltando-lhe apenas o topo do partido ou do país. É também vista como tendo requisitos para uma presidenciável da ala feminina do MPLA. Sugere-se que num cenário atual, seria a que melhor protegeria João Lourenço dos receios de um cenário de marginalização, à semelhança do que foi feito com José Eduardo dos Santos, que faleceu em Barcelona entristecido com a perseguição e prisão dos seus filhos.

De acordo com fontes do Club-K, se a atual Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço, desejar um dia almejar qualquer salto rumo à alta magistratura do país, seja por qual caminho for, terá que renunciar à sua nacionalidade portuguesa, que detém há 29 anos, desde que foi registrada pela Conservatória dos Registros Centrais de Lisboa, sob o assento nº 608-A.

Nos termos da lei dos partidos políticos, o MPLA deve renovar a sua direção a cada cinco anos, o que significa que em 2026 deveria haver uma nova eleição. No entanto, a lei concede mais dois anos para a realização do conclave, o que dá a João Lourenço até 2029 para realizar um congresso ordinário e eleger um novo líder do partido. Nesta condição, João Lourenço, segundo fonte do Club-K, pode se apresentar nas próximas eleições gerais, mas antes teria de alterar a lei constitucional, contando com o apoio de pelo menos 20 deputados da UNITA, ou então apresentar um candidato da sua preferência, com garantias de proteção. Antes, teria de reduzir o número de membros do Comitê Central, de 497 para o número anterior de 363, com vista a controlar e reduzir também a uma contestação ao seu eventual candidato.

Recentemente circularam nas hostes do regime angolano textos (aparentemente para medir reações) sugerindo que João Lourenço deveria ser substituído por um militar. Os generais Eugénio César Laborinho (MINNT) e Fernando Garcia Miala (SINSE) são frequentemente  apontados como as duas altas patentes da confiança de Lourenço, que, num cenário de sucessão, se conformariam com um modelo bicéfalo, tendo em conta que são identificados em ambos ausência de ambição para chefiar o MPLA.