O Presidente da República de Angola, João Lourenço, dirigiu uma mensagem à Nação na qual destacou a necessidade de reforçar a paz, a reconciliação nacional e a preservação da memória histórica das vítimas dos conflitos políticos que marcaram o país entre 1975 e 2002.
Na comunicação, o Chefe de Estado recordou os momentos dramáticos vividos por Angola ao longo da sua história recente e sublinhou que o país tem procurado sarar as feridas do passado através do processo de reconciliação nacional consolidado nas últimas décadas.
João Lourenço destacou o trabalho desenvolvido pela Comissão Interministerial para as Vítimas dos Conflitos Políticos, criada para localizar, identificar e entregar restos mortais de cidadãos mortos durante os confrontos ocorridos após a independência. Segundo o Presidente, centenas de ossadas serão novamente entregues às famílias para a realização de funerais condignos.
O estadista defendeu que o perdão, o diálogo e o reconhecimento dos erros do passado são essenciais para fortalecer a unidade nacional e impedir que episódios semelhantes voltem a ocorrer em território angolano.
Na mensagem, o Presidente apelou ainda à reflexão coletiva sobre os horrores dos conflitos políticos, afirmando que abordar este período da história não deve ser encarado como tabu, mas como um exercício de memória e prevenção.
Perante o impacto social e emocional da cerimónia de entrega dos restos mortais, João Lourenço anunciou a decretação de um dia de luto nacional em homenagem às vítimas dos conflitos políticos que assolaram Angola entre novembro de 1975 e abril de 2002.
O luto nacional será observado em todo o território angolano e nas missões diplomáticas e consulares no dia 22 de maio de 2026. Durante este período, a bandeira nacional deverá permanecer a meia-haste e ficam cancelados espetáculos e manifestações públicas.
O decreto presidencial sublinha ainda que a homenagem pretende reconhecer o sofrimento coletivo vivido pelo povo angolano e reafirmar os valores da paz, da reconciliação nacional e da unidade entre os cidadãos.

