Num contexto em que as cidades enfrentam crescentes desafios provocados pelas mudanças climáticas, a cidade de Maputo dá um passo significativo rumo à resiliência urbana com o lançamento do Projecto do Sistema de Drenagem de Águas Pluviais, uma iniciativa avaliada em 63,2 milhões de euros.
By: Arson Armando
O acto simbólico de lançamento da primeira pedra foi orientado pelo Fernando Rafael, que destacou o carácter estratégico do investimento para a protecção das populações e o desenvolvimento sustentável da capital moçambicana.
Mais do que uma intervenção de engenharia, o projecto surge como resposta a uma realidade vivida por milhares de cidadãos: a vulnerabilidade de vários bairros às inundações durante a época chuvosa. Zonas como Maxaquene B, C e D, e Polana Caniço A e B, frequentemente afectadas pela acumulação de águas pluviais, deverão beneficiar directamente desta iniciativa.
Uma cidade que se adapta
Ao longo dos anos, o crescimento urbano acelerado, aliado à intensidade das chuvas, tem exposto fragilidades na infra-estrutura de drenagem da cidade. Ruas intransitáveis, habitações degradadas e riscos sanitários tornaram-se parte do quotidiano em períodos de precipitação intensa.
Para o ministro, investir em drenagem urbana deixou de ser uma escolha técnica para se tornar uma prioridade estratégica. “Trata-se de proteger vidas, preservar infra-estruturas e garantir melhores condições de saúde pública”, sublinhou.
O projecto prevê a construção de cerca de 14 quilómetros de rede de drenagem e aproximadamente 9 quilómetros de estradas pavimentadas, numa intervenção que deverá impactar directamente cerca de 150 mil pessoas, promovendo maior segurança, mobilidade e dignidade.
Cooperação que constrói futuro
A iniciativa insere-se no quadro de cooperação histórica entre Moçambique e Itália, uma parceria que tem vindo a consolidar-se em sectores-chave do desenvolvimento nacional, como obras públicas, educação e saúde.
Do montante global, 60 milhões de euros correspondem a financiamento sob forma de crédito, enquanto 3,2 milhões são disponibilizados como donativo para a gestão do projecto — um sinal claro da confiança e do compromisso mútuo entre os dois países.
Uma visão integrada dacidade
Mais do que resolver um problema imediato, o projecto articula-se com o Projecto de Transformação Urbana de Maputo (PTUM), reflectindo uma abordagem integrada que combina drenagem, mobilidade e ordenamento territorial.
Esta visão amplia o impacto da intervenção, ao mesmo tempo que reforça a capacidade da cidade para enfrentar eventos climáticos extremos e melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes.
Paralelamente, o Governo prevê expandir o acesso ao saneamento em todo o país, com metas ambiciosas que incluem a construção de milhares de fossas sépticas e latrinas melhoradas, bem como a expansão da rede de esgotos em centros urbanos estratégicos.
Um compromisso colectivo
O sucesso do projecto, no entanto, não dependerá apenas da sua execução técnica. Durante o seu discurso, o ministro apelou ao envolvimento activo da população, destacando a importância do civismo, da preservação das infra-estruturas e da colaboração com as equipas no terreno.
Aos empreiteiros e consultores, foi deixada uma mensagem clara: rigor técnico, responsabilidade social e proximidade com as comunidades serão fundamentais para garantir resultados duradouros.
Entre desafios e oportunidades
Num momento em que cidades africanas enfrentam pressões crescentes devido à urbanização e às alterações climáticas, iniciativas como esta representam mais do que obras públicas — são investimentos no futuro urbano.
Ao lançar este projecto, Moçambique reafirma o seu compromisso com a construção de cidades mais resilientes, inclusivas e preparadas para os desafios do presente e do futuro.
E, para Maputo, este poderá ser um passo decisivo na transformação de um problema antigo numa oportunidade de desenvolvimento sustentável.

