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“Ou o MPLA muda, ou cai”: Paulo de Carvalho critica política de subsídios e alerta para insatisfação popular em Angola

by Marcelino Gimbi

Luanda – O sociólogo e professor universitário Paulo de Carvalho lançou um duro alerta ao governo angolano, apelando à mudança urgente na forma de governar e de comunicar com os cidadãos. Numa longa análise sobre os recentes protestos registados no país, o académico defendeu que o MPLA, partido no poder, arrisca-se a perder legitimidade se continuar a ignorar os sinais de descontentamento social.

A posição foi expressa num texto divulgado no dia 4 de Agosto, intitulado “Ou o MPLA muda, ou cai!”, onde Paulo de Carvalho abordou as causas e implicações da paralisação dos taxistas ocorrida no início do mês, motivada pelo aumento de 33% no preço do gasóleo – de 300 para 400 kwanzas por litro – decretado a 4 de Julho.

Apesar de o Executivo garantir que o aumento do combustível não impactaria os preços do transporte, a realidade demonstrou o contrário: a tarifa dos táxis colectivos subiu de 200 para 300 kwanzas, um acréscimo de 50%, gerando indignação entre os utentes. O sociólogo questiona a coerência dessa subida e critica a falta de clareza nas contas e explicações oferecidas pelas autoridades.

Paulo de Carvalho considera que a ausência de diálogo prévio e a comunicação ineficaz têm sido erros recorrentes do Executivo. “Sempre que se tomam decisões impopulares sem escutar a sociedade, o risco de revolta aumenta”, alerta.

Para o académico, a eliminação dos subsídios aos combustíveis é uma medida necessária do ponto de vista económico, mas mal planeada e ainda pior comunicada. “Em vez de promover inclusão social, os subsídios apenas beneficiam os mais ricos”, apontou, defendendo uma revisão profunda da política pública e uma melhor redistribuição dos recursos arrecadados com a retirada dessas ajudas.

“Cidadãos estão cansados de promessas vãs”

O autor destaca que o povo angolano está a atingir o limite da paciência. Os protestos recentes, que deixaram várias cidades em clima de tensão, representam, segundo Paulo de Carvalho, um ponto de ruptura com o passado de silêncio popular. “O que se constrói com sacrifício pode ser destruído num único dia”, sublinhou, referindo-se à erosão da confiança pública.

No texto, o académico critica ainda o despesismo do Estado, as ostentações de dirigentes, a falta de serviços básicos como saúde e educação, e o contínuo endividamento público. Lembra que milhões de jovens estão desempregados e que os ganhos económicos não têm sido partilhados de forma justa.

O professor também apontou falhas graves na actuação dos meios de comunicação social, especialmente os públicos, acusando-os de parcialidade e propaganda em favor do governo. Para ele, o serviço público deve ser apartidário e focado no interesse colectivo.

Sobre as manifestações, Paulo de Carvalho defende o direito constitucional à livre expressão, desde que pacífica, e condena tanto os actos de vandalismo como a violência policial contra civis. “Não se pode combater palavras com balas”, afirmou, apelando à contenção das forças da ordem.

“Ou há mudança, ou há queda”

Na conclusão do seu artigo, o sociólogo adverte que a situação actual exige escolhas claras. “Ou o país muda de atitude e governa em função dos anseios dos cidadãos, ou continuará a caminhar rumo ao abismo.”

E vai mais longe: “Se o MPLA continuar a fechar-se em si mesmo, sem se renovar ou ouvir os seus militantes e o povo, corre o risco de ser afastado do poder – seja pelas urnas, seja por outros meios.”

A crítica de Paulo de Carvalho ecoa num momento de grande sensibilidade social e económica em Angola, e reacende o debate sobre a necessidade de reformas profundas no modelo de governação do país.

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