Rio de Janeiro – O Presidente da República de Angola e Presidente em Exercício da União Africana, João Manuel Gonçalves Lourenço, defendeu neste sábado, durante a XVII Cimeira dos BRICS, o fortalecimento da cooperação multilateral e a inclusão plena do continente africano nas decisões globais sobre desenvolvimento sustentável e governança.
Em discurso proferido na cidade do Rio de Janeiro, Lourenço destacou a importância do lema da cimeira, “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, afirmando que a reunião representa uma oportunidade concreta para os países em desenvolvimento articularem soluções comuns para os principais desafios que enfrentam.
“Vim a esta cimeira convencido de que estamos no palco apropriado para trocarmos ideias sobre o potencial do Sul Global para promovermos parcerias sólidas em prol do desenvolvimento económico e social”, afirmou o chefe de Estado angolano.
Segundo Lourenço, os BRICS — bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — têm demonstrado que é possível unir países com diferentes visões políticas em torno de objetivos comuns, sem confrontações, priorizando a luta contra a pobreza, as desigualdades e a exclusão social.
O estadista angolano reiterou o apelo histórico das nações africanas por maior representatividade nos fóruns internacionais e alertou que, apesar dos apelos reiterados, África ainda não foi plenamente ouvida. Defendeu ainda o papel dos BRICS como plataforma alternativa para dialogar sobre financiamento ao desenvolvimento do continente, nomeadamente em sectores como agricultura, saúde, educação, energia, ciência e tecnologia, transportes e telecomunicações.
João Lourenço aproveitou a ocasião para anunciar a realização, em Outubro próximo, de uma grande conferência em Angola, sob o lema *“Infra-estruturas como Factor de Desenvolvimento em África”*, com o objectivo de atrair parcerias em moldes de vantagens mútuas.
O Presidente angolano criticou o desajuste das instituições globais de governança criadas no pós-guerra às realidades actuais e apelou à construção de uma nova ordem económica internacional mais equitativa. Enfatizou a urgência do fortalecimento do multilateralismo, alertando para as tensões e instabilidades crescentes no mundo.
“Os BRICS podem desempenhar um papel determinante na criação de um maior equilíbrio entre o Sul Global e os países desenvolvidos, sobretudo no comércio, investimento e financiamento menos oneroso”, acrescentou.
Lourenço também se pronunciou sobre os principais focos de instabilidade no mundo. Defendeu a resolução pacífica de conflitos e apelou ao fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, do conflito entre a RDC e o Ruanda, do genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza, e do terrorismo no Sahel e no Corno de África.
Aplaudiu as iniciativas que buscam evitar o alastramento do conflito no Médio Oriente e pediu o cumprimento das resoluções da ONU relativas à criação do Estado da Palestina.
Ao encerrar o seu discurso, João Lourenço enalteceu os laços históricos entre o Brasil e África, classificando o país sul-americano como um forte aliado do continente no seio dos BRICS. Felicitou o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela presidência assumida no bloco e destacou a sensibilidade brasileira para com os desafios africanos.
“Falando em nome de África aqui no Brasil, país com laços profundos connosco, reitero a nossa confiança na sua liderança à frente dos BRICS”, concluiu.
A cimeira dos BRICS de 2025 decorre num contexto global marcado por incertezas, tensões geopolíticas e desafios multilaterais que exigem respostas conjuntas e coordenadas entre as nações do Sul Global.

