Mais de 11 milhões de eleitores estão este domingo chamados a decidir quem será o próximo Presidente da República, encerrando um ciclo de dez anos de Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém. As eleições presidenciais de 2026 entram para a história como as mais concorridas de sempre, com 11 candidatos oficialmente aceites.
As assembleias de voto abriram às 8h00 em Portugal Continental e na Madeira, encerrando às 19h00. Nos Açores, o horário é ajustado à diferença horária, fechando uma hora mais tarde. No estrangeiro, os portugueses puderam votar presencialmente ao longo do fim de semana em consulados e postos diplomáticos.
Até às 12h00, a taxa de participação atingiu 21,18%, segundo dados da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna. Este valor representa a maior afluência registada a essa hora desde que existem registos comparáveis, superando as presidenciais de 2021, 2016, 2011 e 2006.
No total, estão inscritos 11.039.672 eleitores, mais cerca de 174 mil do que nas presidenciais anteriores. Caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos validamente expressos, haverá uma segunda volta a 8 de fevereiro, entre os dois mais votados.
Candidatos e líderes políticos apelam ao voto
Ao longo da manhã e início da tarde, quase todos os candidatos presidenciais já exerceram o direito de voto, deixando apelos à participação cívica e à redução da abstenção. A mensagem comum foi a importância do momento democrático, num contexto internacional marcado por instabilidade e incerteza.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, sublinhou que se trata de uma decisão soberana dos portugueses e destacou o papel central do Presidente da República na estabilidade do sistema político. Também líderes partidários e antigos responsáveis de Estado, como Cavaco Silva, reforçaram a relevância do cargo para o futuro do país.
Entre os candidatos, destacaram-se apelos dirigidos a jovens, trabalhadores e reformados, bem como a defesa da Constituição e do papel do Presidente como garante do regular funcionamento das instituições democráticas.
Voto no estrangeiro com forte mobilização
No estrangeiro, registou-se uma mobilização significativa, apesar de o voto nas presidenciais ser exclusivamente presencial. Em cidades como Londres e Lugano, muitos eleitores percorreram dezenas ou centenas de quilómetros para votar, com vários relatos de afluência superior à de eleições anteriores. Ainda assim, continuam a ouvir-se críticas à ausência de voto postal ou digital neste tipo de sufrágio.
A Comissão Nacional de Eleições confirmou ter recebido uma queixa relacionada com declarações públicas de Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, consideradas suscetíveis de influenciar o voto. A CNE determinou a cessação imediata da transmissão das peças em causa nos meios de comunicação social.
Com um número recorde de candidatos, o desfecho destas presidenciais permanece imprevisível e poderá não ficar fechado esta noite. A tomada de posse do novo Presidente da República está marcada para 9 de março, conforme determina a Constituição.
O país continua a votar ao longo do dia, num ato eleitoral que muitos consideram decisivo para o rumo político de Portugal nos próximos cinco anos.

