Uma empresa de construção sediada em Palmela, detida por Romeu Joel Marçalo da Silva, é acusada de ter lesado 114 famílias, que ficaram sem habitação, sem as quantias investidas e ainda com problemas fiscais. A sociedade encontra-se em processo de insolvência, com dívidas estimadas em cerca de 27 milhões de euros.
De acordo com o administrador de insolvência da empresa, muitas das famílias afetadas ficaram numa situação financeira e social delicada, tendo algumas sido obrigadas a recorrer ao apoio de amigos ou familiares para garantir um local onde viver, após terem perdido as poupanças entregues à construtora.
O gestor judicial explica que, com base nas reclamações de crédito já apresentadas no processo, a empresa terá arrecadado quase 17 milhões de euros em sinal, no âmbito de contratos-promessa de compra e venda (CPCV) relacionados com vários projetos imobiliários de luxo em Palmela. No entanto, o responsável sublinha que ainda está por apurar o valor exato efetivamente recebido pela empresa.
Segundo informações recolhidas durante a investigação, a construtora terá chegado a vender o mesmo imóvel a várias pessoas, prática que agravou o impacto financeiro e emocional sobre os compradores. Além de perderem o dinheiro investido, alguns dos lesados enfrentam agora exigências do Fisco, por contratos que nunca chegaram a concretizar-se.
O caso está a ser acompanhado no âmbito do processo de insolvência, enquanto os lesados aguardam esclarecimentos e eventuais mecanismos de recuperação de parte dos valores entregues, num cenário que expõe fragilidades no controlo e fiscalização do setor imobiliário.

