Bissau – A detenção de dois militares guineenses suspeitos de envolvimento na morte de um jovem cobrador de toca-toca, ocorrida no final de dezembro, está a gerar forte reação na sociedade civil da Guiné-Bissau. O Ministério Público requereu a prisão preventiva dos acusados, um passo que a Liga Guineense dos Direitos Humanos considera positivo e revelador de um compromisso com o combate à impunidade.
Segundo informações divulgadas, os dois militares encontram-se detidos em instalações militares e deverão ser ouvidos pelo juiz de instrução criminal, que irá decidir as medidas de coação a aplicar. O caso, classificado como crime público, causou grande comoção no país, sobretudo por envolver alegadas práticas de violência por parte de elementos das Forças Armadas.
Em declarações à DW, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, manifestou satisfação com a atuação célere da Procuradoria-Geral da República, sublinhando que o processo representa um sinal encorajador do funcionamento das instituições judiciais. Para o dirigente, a iniciativa do Ministério Público demonstra a intenção de não tolerar a impunidade, mesmo em casos que envolvem membros das forças de segurança.
Bubacar Turé defendeu ainda que o processo deve culminar numa condenação exemplar, de modo a transmitir uma mensagem clara de que ninguém está acima da lei. Na sua avaliação, apesar do contexto político sensível que o país atravessa, marcado por instabilidade e governação militar, a detenção dos suspeitos indica que a hierarquia das Forças Armadas não concorda com o ocorrido e está disposta a colaborar com a Justiça.
A Liga dos Direitos Humanos aguarda agora a decisão do tribunal, acreditando que a prisão preventiva poderá ser aplicada para garantir a realização de um julgamento justo. Para a organização, mais do que punir os responsáveis, o caso deve servir de lição a todos os cidadãos, incluindo aqueles que detêm o uso da força, reforçando o princípio de que a lei se aplica a todos de forma igual.

