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Mogovolas: Confronto nas minas gera polémica entre versão oficial e denúncias de massacre

by Marcelino Gimbi

Um violento incidente ocorrido a 29 de dezembro, na localidade de Maraca, posto administrativo de Iuluti, província de Nampula, tem provocado forte controvérsia entre autoridades moçambicanas, partidos políticos e organizações da sociedade civil. O episódio, registado numa área de exploração mineira, terminou com várias mortes, mas o número exato e as circunstâncias permanecem envoltas em versões contraditórias.

Segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM), o tumulto começou quando um grupo de indivíduos alegadamente armados com catanas, azagaias e engenhos explosivos artesanais tentou assaltar uma posição policial. A porta-voz da PRM em Nampula, Rosa Chaúque, afirmou que a intenção dos atacantes seria apoderar-se de armas e causar instabilidade.

A polícia reporta sete mortos — um agente e seis civis que, segundo Chaúque, se identificavam como Naparamas e membros do movimento político ANAMOLA. A corporação descarta que fossem garimpeiros ilegais, alegando que os cartões encontrados em seu poder confirmariam a ligação política.

O coordenador provincial do ANAMOLA, Castro Niquina, rejeita totalmente a versão da PRM, classificando as declarações como uma tentativa de incriminar o partido. Niquina assegura que nenhum membro da formação esteve envolvido e acusa a polícia de agir sob motivações políticas.

Também o secretário de Estado de Nampula, Plácido Pereira, apoia a versão oficial, reforçando que os envolvidos seriam Naparamas, distinguíveis pelas fitas vermelhas que usavam na cabeça.

Entre os habitantes de Marraca, porém, a narrativa é bem diferente. Um residente, que pediu para não ser identificado, descreveu um cenário de caos e violência indiscriminada, alegando que mulheres, homens e até crianças foram atingidos durante a intervenção das forças de segurança.

A organização de direitos humanos Kóxukhuro realizou uma investigação preliminar no terreno e contesta os dados divulgados pela polícia. O seu diretor-executivo, Gamito dos Santos, afirma que o que ocorreu foi um “massacre” e que a PRM terá matado 38 pessoas, entre elas oito mulheres e oito crianças. Treze outras vítimas estariam feridas e a receber cuidados de forma precária, sem apoio estatal.

Segundo o relatório inicial da ONG, os mortos seriam garimpeiros ilegais que teriam resistido a uma operação policial na zona mineira — contrariando diretamente a explicação oficial de que se tratava de militantes ou simpatizantes políticos.

A Kóxukhuro anunciou que irá formalizar uma queixa junto da Procuradoria-Geral da República, exigindo uma investigação “rápida, transparente e rigorosa” para apurar responsabilidades tanto dos agentes no terreno quanto da cadeia de comando envolvida na operação.

Este não é o primeiro confronto grave entre garimpeiros ilegais e forças policiais na região de Marraca, aumentando a pressão para que o episódio seja esclarecido e que eventuais abusos sejam devidamente investigados.

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