Um conjunto de denúncias que circula em meios empresariais, institucionais e académicos em Moçambique aponta para a existência de um alegado núcleo de poder informal com forte capacidade de influência sobre decisões governamentais. Os nomes mais citados nas alegações são os de Alcides Viegas Chihono (conhecido como Cantoná) e Ingilo Dalsuco, referidos por várias fontes como figuras que operariam nos bastidores do Estado, apesar de não ocuparem cargos públicos.
A divulgação das denúncias surge acompanhada de um apelo dirigido à sociedade civil e a diversas personalidades nacionais, incluindo antigos Presidentes da República, académicos, organizações partidárias, instituições de justiça, meios de comunicação social e entidades internacionais. O documento reivindica atenção urgente para aquilo que descreve como “um poder paralelo” que estaria a condicionar sectores estratégicos.
De acordo com inúmeras fontes consultadas pelo dossiê — entre empresários, funcionários públicos, quadros intermédios do Estado e actores políticos — estaria a emergir um novo ambiente de influência informal com maior alcance do que o habitual na história recente do país.
As denúncias referem que:
- os indivíduos em causa não são membros do Governo,
- não foram eleitos,
- não respondem ao escrutínio público,
- mas alegadamente participam em decisões de relevância nacional, interferindo em processos institucionais.
Segundo os testemunhos recolhidos, estas figuras circulariam com facilidade pelos corredores do poder, acedendo a gabinetes, reuniões e dossiês sensíveis, comportando-se como “ministros sem pasta”.
Entre os padrões relatados pelo empresariado, destacam-se:
- alegada interferência em concursos e adjudicações,
- suposta manipulação de processos administrativos,
- denúncias de pressões sobre agentes económicos,
- casos de intimidação a empresários,
- e relatos de um “clima de medo” em determinados sectores económicos.
Os depoimentos, embora não constituam prova judicial, convergem num cenário de alegada influência externa que ultrapassa os canais formais do Estado, favorecendo determinados interesses privados.
O documento que compila estas informações reúne:
- testemunhos de empresários,
- percepções de funcionários públicos,
- denúncias privadas sobre alegados esquemas de favorecimento,
- e padrões de actuação reportados em múltiplos sectores.
Os autores afirmam que o objetivo não é condenar, mas tornar públicas as alegações e incentivar a investigação por parte das autoridades competentes e da sociedade civil.
O dossiê conclui com um desafio: que qualquer entidade independente examine os factos e tire as suas próprias conclusões.

