Em discurso recente durante a cerimônia de abertura da Vigésima Conferência Anual do Sector Privado, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, fez um contundente apelo à Caixa de Apoio ao Sector Privado (CASP) para que deixe de ser um “mundo de lamentações”. O Presidente ressaltou que, apesar de já estarem disponíveis diversos fundos para os empresários, muitos deles ainda não estão sendo acessados. Para ele, a falta de aproveitamento dessas oportunidades é um desafio imediato que precisa ser superado.
By: Arson Armindo
“Anunciamos diversos fundos, mas o que está acontecendo para que os empresários não os acessem?”, questionou Chapo. Ele destacou que é necessário agir rapidamente para tornar a CASP uma ferramenta mais eficaz no desenvolvimento empresarial e impulsionar o crescimento econômico do país. A declaração gerou reações tanto do setor público quanto do privado, destacando a urgência de uma abordagem mais prática e conectada com a realidade do empresariado moçambicano.
O Papel do Setor Privado na Divulgação dos Fundos
Em resposta ao apelo presidencial, Lineu Candieiro, Presidente da Federação de Desenvolvimento Empresarial (FDEM), concordou com a necessidade de uma abordagem mais direta e menos burocrática. “A CASP não pode ser um espaço de reclamações, mas sim uma plataforma ativa de apoio ao empresário”, afirmou Candieiro. Segundo ele, a divulgação dos fundos e a falta de informação clara para os micro e pequenos empresários têm sido um obstáculo importante.
Candieiro sugeriu que as associações empresariais, como a FDEM, desempenhem um papel mais ativo na comunicação dessas oportunidades. “É fundamental que criemos workshops, debates e iniciativas para divulgar mais informações. Não podemos esperar que os empresários busquem sozinhos o que o Estado deveria fornecer”, completou o líder empresarial.
O Presidente da FDEM destacou que a falta de conhecimento sobre o acesso a fundos é um problema real que muitos empresários enfrentam ao procurar financiamento. Em sua visão, é crucial que o setor privado e o governo trabalhem em parceria para superar essa lacuna de informação. “Não adianta o Presidente anunciar medidas se não houver ninguém para acompanhar e garantir que as informações cheguem aos empresários. Precisamos agir com urgência para criar condições para que mais moçambicanos se beneficiem dessas oportunidades”, afirmou.
Rumo a uma Economia mais Dinâmica e Inclusiva
Para Candieiro, o maior desafio do setor privado agora é superar a postura de reclamação e adotar uma postura mais proativa. Ele acredita que, ao focar na divulgação de informações e ao promover uma comunicação mais eficiente, será possível dar um impulso ao desenvolvimento econômico do país, especialmente no que diz respeito às micro e pequenas empresas, que representam a espinha dorsal da economia nacional.
O líder empresarial também alertou que é necessário simplificar o acesso aos recursos financeiros. “Quando um empresário vai ao banco e não tem clareza sobre como acessar um fundo, o processo se torna desmotivador. Precisamos garantir que os empresários saibam exatamente como proceder, sem burocracia excessiva”, afirmou Candieiro.
Com essas discussões em andamento, a Vigésima Conferência Anual do Sector Privado segue como um espaço fundamental para identificar soluções para os desafios do ambiente de negócios em Moçambique. Em um momento decisivo, tanto o governo quanto o setor privado sabem que, se não houver uma mudança na forma de atuar, as oportunidades de crescimento podem ser desperdiçadas.
Em busca de um futuro mais promissor
O momento, portanto, exige um esforço conjunto. O governo, através da CASP, e o setor privado, liderado por suas associações empresariais, precisam encontrar maneiras de trabalhar mais próximos, compartilhando informações e criando uma rede de apoio que beneficie o empresário moçambicano. A expectativa é que, nos próximos meses, a colaboração entre as duas partes seja intensificada, contribuindo para uma economia mais dinâmica e inclusiva, capaz de gerar mais empregos e desenvolvimento sustentável para o país.

