Luanda — O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, desloca-se a Luanda para participar nas comemorações do 50.º aniversário da independência de Angola, assinaladas esta terça-feira, 11 de novembro. A visita marca um novo capítulo nas relações de cooperação e amizade entre os dois países.
Segundo uma nota divulgada pela Presidência da República Portuguesa, a deslocação de Marcelo “constituirá um momento muito significativo na relação de estreita cooperação e profunda amizade entre Portugal e Angola”. O chefe de Estado fará-se acompanhar pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e por representantes de todos os grupos parlamentares da Assembleia da República.
Esta será a sétima visita oficial de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola. O presidente já havia estado no país para as tomadas de posse do chefe de Estado João Lourenço, em 2017 e 2022, além de uma visita de Estado em 2019.
Cinquenta anos após a proclamação da independência, Angola continua a enfrentar sérios desafios sociais e económicos. Apesar dos avanços em infraestruturas e na estabilidade política, a pobreza e a fome permanecem problemas persistentes.
De acordo com o Índice Global da Fome 2025, Angola ocupa a 111.ª posição entre 123 países, figurando entre os 13 com piores indicadores do mundo. Quase 48% das crianças sofrem de atraso no crescimento e mais de 22% da população está subnutrida.
Em Luanda, relatos de cidadãos no mercado de Kikolo refletem o impacto da crise no quotidiano. “Não conseguimos comprar comida nem roupa. A fome é o que mais nos desgasta”, lamenta Adelina, uma das vendedoras entrevistadas.
A juventude, que representa a maioria da população, pede mais oportunidades de emprego e inclusão. “Queremos trabalhar e contribuir para o crescimento do país”, disse Daniel, um jovem morador da capital.
CEAST aponta a corrupção como “a pior desgraça”
Os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) afirmam que a fome e a pobreza resultam da má gestão dos recursos naturais, da ausência de políticas públicas eficazes e, sobretudo, da corrupção.
“Não é compreensível que um país com rios e terras férteis continue a importar alimentos básicos”, criticou o porta-voz da CEAST, dom Belmiro Chissengueti, acrescentando que “a corrupção tem sido a pior desgraça dos últimos 50 anos, depois da guerra”.
Apesar de ligeiras melhorias, Angola ocupa o 121.º lugar no Índice de Perceção da Corrupção da Transparência Internacional, sendo o 21.º país mais transparente da África Subsaariana, entre 49 avaliados.
Hoje, Portugal e Angola mantêm uma relação que ultrapassa o passado colonial. São países parceiros e irmãos, unidos por laços históricos, culturais e linguísticos.
A presença de Marcelo Rebelo de Sousa nas celebrações do cinquentenário simboliza não apenas a reconciliação histórica, mas também a esperança de uma nova etapa de cooperação voltada para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar dos cidadãos angolanos.

