LUANDA, (DIÁRIO INDEPENDENTE – 07/11/2025) – O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Dom José Manuel Imbamba, procedeu nesta quinta-feira, em Luanda, à abertura oficial do Congresso Nacional da Reconciliação, dirigido a autoridades políticas, religiosas, civis e militares, delegados das dioceses e representantes de várias organizações sociais. O evento decorre numa unidade hoteleira da capital, em clima de reflexão nacional às vésperas do jubileu dos 50 anos da independência.
Na sua intervenção, Dom Imbamba saudou os presentes com um apelo à paz, fraternidade e reconciliação, evocando o lema bíblico que orienta o encontro: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5). Para o prelado, o congresso deve ser entendido como um espaço de introspeção pessoal e colectiva, que convida os angolanos a revisitar a sua história, reconhecer conquistas e fragilidades, e retirar lições para fortalecer a convivência nacional.
O líder da CEAST lembrou que o jubileu, na tradição bíblica, simboliza perdão, reconciliação e restituição, valores que considera fundamentais para o actual momento do país. “Desejamos infundir na sociedade um espírito de restauração, confiança mútua, diálogo, inclusão, justiça restauradora e amizade social”, afirmou.
Sublinhou ainda que a reconciliação nacional exige mais do que acordos políticos ou institucionais, defendendo a necessidade de uma base espiritual sólida. “Sem uma mística espiritual cristã, o processo de pacificação dos espíritos não produzirá os frutos esperados”, advertiu.
Entre os objectivos do congresso destacam-se a promoção de um encontro nacional de autoavaliação, o estímulo à construção de novas bases éticas e sociais, a realização de uma retrospeção histórica crítica e a definição de um compromisso comum expresso na futura Carta do Cinquentenário, documento que deverá orientar correcções de erros do passado e propor novos caminhos para o desenvolvimento humano integral.
Ao encerrar a sua intervenção, Dom José Manuel Imbamba expressou o desejo de que o congresso inaugure “uma nova era, uma nova Angola e uma nova cidadania”, antes de declarar oficialmente aberto o Congresso Nacional da Reconciliação e invocar bênçãos para o país.

