Washington — A falta de consenso político em Washington colocou os Estados Unidos à beira de uma nova paralisação do governo federal, com efeitos diretos para milhões de funcionários públicos e riscos acrescidos para a economia norte-americana.
O orçamento vigente expira esta terça-feira, 30 de setembro, e, sem a aprovação de um novo pacote de financiamento ou de uma medida provisória, grande parte dos serviços públicos será suspensa a partir de quarta-feira. Desde 1980, o país já registou 14 episódios semelhantes.
Enquanto despesas consideradas essenciais — como segurança social, forças armadas e controlo aéreo — continuam automaticamente asseguradas, setores como parques nacionais, reguladores financeiros e empréstimos agrícolas dependem de autorizações anuais. Sem aprovação, estas atividades ficam suspensas, deixando funcionários em casa sem vencimento, enquanto outros continuam a trabalhar, mas sem receber até ao fim da paralisação.
No Senado, onde os republicanos detêm 53 lugares e os democratas, aliados a dois independentes, somam 47, é necessária uma maioria de 60 votos para aprovar uma resolução provisória. Isso obriga a negociações entre os dois partidos, mas as divergências sobre financiamento de programas sociais têm travado o processo.
Os democratas exigem a prorrogação de créditos fiscais ligados ao Obamacare, enquanto os republicanos acusam o partido adversário de tentar alargar benefícios de saúde a imigrantes em situação irregular. A divisão ameaça inviabilizar um acordo de última hora.
Segundo analistas, um shutdown pode reduzir o PIB trimestral dos EUA entre 0,1% e 0,3% por semana de paralisação, com risco de chegar a 1,5% num mês. Empresas fornecedoras do Estado também seriam afetadas, podendo enfrentar dificuldades financeiras e até falências se a crise se prolongar.
O bloqueio orçamental poderia ainda elevar os custos da dívida pública, pressionar as taxas de juro de crédito, agravar a crise imobiliária e gerar instabilidade nos mercados. Programas como o Seguro Nacional contra Inundações seriam interrompidos, prejudicando compradores de imóveis dependentes dessa cobertura para obter financiamento.
Além disso, a suspensão de atividades de agências governamentais comprometeria a divulgação de dados estatísticos fundamentais para investidores e para a política monetária da Reserva Federal.
Com poucas horas para evitar o colapso administrativo, Washington vive um impasse que pode ter consequências profundas não apenas para a vida dos cidadãos norte-americanos, mas também para a confiança global na maior economia do mundo.

