Maputo – Durante o Fórum Africano de Diplomacia, Turismo e Investimento, Noor Momad defendeu que o desenvolvimento do setor turístico em Moçambique depende de melhorias urgentes nas infraestruturas de transporte e serviços básicos.
O presidente do Conselho de Administração da COTUR, Noor Momad, afirmou nesta quinta-feira (21), durante o Painel 2 do Fórum Africano de Diplomacia, Turismo e Investimento, que o turismo em Moçambique enfrenta sérios entraves devido às deficiências nas infraestruturas, especialmente no transporte aéreo e rodoviário.
“Não há turismo sem transporte”, começou por afirmar. Segundo Momad, é impossível promover o turismo sem garantir mobilidade segura e eficiente para os visitantes. “Infelizmente, ainda temos muitas lacunas na área de transportes. O transporte aéreo é essencial para o turismo, mas há problemas. Quando conversamos com turistas, a primeira pergunta que fazem é sobre as nossas estradas”, relatou.
Para o dirigente, a qualidade das estradas, a segurança rodoviária, o acesso à assistência médica e as condições dos hospitais são fatores que pesam na decisão dos visitantes. “Tudo está interligado. O turismo é transversal. Se o carro avaria, o turista precisa de assistência. Se sofre um acidente, precisa de hospital. E o hospital tem de ter condições. Esses desafios crescem e vão se acumulando”, alertou.
Zanzibar como exemplo a seguir
Noor Momad partilhou ainda a sua experiência recente em Zanzibar, na Tanzânia, que considerou um exemplo inspirador. “Com todo o respeito aos nossos colegas tanzanianos, Moçambique tem muito mais a oferecer do que Zanzibar. Temos praias mais bonitas, águas cristalinas, marisco, bom clima e pessoas acolhedoras”, destacou.
Contudo, o que mais chamou sua atenção foi o modelo de organização e gestão turística adotado na ilha. “As estradas de lá nem são boas como as nossas, mas vi aviões da Qatar Airways, Etihad, Saudi, Lufthansa, Air France — todos a aterrar ali, cheios de turistas. Fiquei impressionado”, contou.
Momad destacou que, em Zanzibar, a experiência do turista é cuidadosamente gerida desde a chegada. “Não se entra no resort sem reserva confirmada e paga. São implacáveis. No início achei estranho, mas depois entendi: eles querem garantir que tudo funcione. Quando o turista entra no complexo, tem tudo ali. Passa sete, dez dias sem sair, com acesso a todos os serviços. Não há reclamações sobre estradas, hospitais ou segurança.”
Um apelo à acção
O presidente da COTUR concluiu apelando às autoridades e investidores moçambicanos para que se inspirem neste modelo, reforçando as infraestruturas de suporte ao turismo. “É necessário que nos preparemos para oferecer um turismo convidativo, seguro e eficiente. Temos o potencial, mas precisamos fazer acontecer.”

