CASO UNIÃO AFRICANA
Que o mesmo grupo que fez este comunicado, venha nos explicar o que aconteceu entre Angola e a Namíbia, isto é, no ano de 2023, Fevereiro, a senhora Netumbo Nandi Ndaitwah, a então Ministra dos Negócios Estrangeiros e actual Presidente da República da Namíbia, viera Angola para pedir apoio do Governo Angolano isto porque a Namíbia tinha a intenção de presidir a União Africana tendo em conta a rotatividade regional, por sua vez, o Governo Angolano na pessoa do Presidente João Lourenço garantiu a então Ministra que Angola apoiaria a candidatura do País vizinho, porém, passado 6 meses, o Governo Angolano anunciou a sua candidatura para presidir a União Africana sendo que antes, curiosamente, havia garantido apoio a Namíbia, entretanto, sem explicações devida a Namíbia desistiu após este episódio.
SEGUNDA NOTA:
Toda e qualquer eleição exige custo, custo de lobbys, compra ilícita ou lícita de individualidades ou Grupos com o fim de antigir um propósito, e custos de logísticas, principalmente, para quem realiza um acto que antecede o processo, isto é, 17 de Agosto de 2023 foi realizada em Luanda a Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo que resultou na indicação de Angola como representante da África Austral a concorrer a liderança da União Africana pela decisão 28 da 43ª Sessão Ordinária da referida Cimeira que veio ratificar a recomendação da 25ª da Reunião do Comité Ministerial do Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança desta mesma organização sub-regional, ocorrida em Julho do mesmo ano, curiosamente, em Windhoek, República da Namíbia que era a candidata que inclusive tinha garantia do Apoio de Luanda. Porém, houve custos e despendidos por Angola para realização da referida Cimeira em solo pátrio.
TERCEIRA NOTA
Não era de facto a vez de Angola, ou pelo menos, o Governo Angolano não tinha esta pretensão, a prova inequívoca, é o facto de que Angola mostrou-se apoiante da Candidatura da Namíbia, mas na última da hora, Angola decidiu entrar em cena, e todos nós, ou qualquer indivíduo lúcido sabe que há custos de sensibilização para que as nossas ideias ou propostas sejam aceites, ou se quisermos, podemos chamar a isto de lobby, e o Governo Angolano na pessoa do seu Ministro das Relações Exteriores andou de País a País para convencê-los que Angola era por agora, o País certo para dirigir a presidência da União Africana e isto é normal que um País faça quando quer atingir determinados protagonismo regional, continental e mundial em vista a obtenção de outros privilégios. E associado a isto, ou aos privilégios, buscou -se de imediato assumir a presidência da União Africana para que tivéssemos bem posicionados ao realizarmos a Cimeira América -África, ou seja, uma coisa é endereçar convites enquanto Estado em s, e outra, é endereçar convites enquanto presidimos a União Africana, ou seja, tudo isto foi pensado na estratégia de assumirmos a presidência continental.
QUARTA NOTA:
Aquando da realização da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo que resultou na indicação de Angola e que teve lugar em Luanda, houve de facto custos, nomeadamente, com serviços protocolares, segurança, alimentação, alojamento, transporte, e outros, custos estes que na sua maioria foram gastos pelo Governo Angolano, então, quando Adalberto Costa Júnior diz ou questiona quanto custou para assumirmos a presidência da União Africana, sendo ou não nossa vez, não significa necessariamente que corrompemos ou compramos grupos mas que houve gastos adicionais nesta corrida. Todo e qualquer concorrente a um pleito eleitoral gasta e isto não é um bicho de sete cabeça para se compreender.
QUINTA NOTA:
Nos primeiros dias de actuação do Presidente João Lourenço enquanto líder da União Africana, Angola doou 4.000.000,00 de dólares a União Africana para questões de saúde, mais uma vez estamos perante a custos, ou seja, a liderança de Angola em relação a União Africana teve custos antes, ao longo do processo da candidatura e depois, ou melhor, agora. E tudo isto fizemo-lo em busca de prestígios e outros aspectos.
Ora, a situação que envolveu Angola vs Namíbia, onde um pede apoio e outro decide apoiar mas depois este último entra na corrida mesmo já tendo garantido apoio a Namíbia, gera estranheza, principalmente, quando a Namíbia recua de forma estranha e sem esclarecimento. Houve custos, ou seja, quanto custou para assumirmos a presidência da União Africana? Valores exatos e como foram gastos, não se sabe ao certo mas que custou caro aos cofres do Estado e consequentemente dos Cidadãos, custou. Agora, procurar levar Adalberto Costa Júnior a barra do tribunal por ter questionado, é de todo perigoso e esta iniciativa tem como matar a liberdade de expressão, ou seja, isto é um aviso para todo.
Por: Osvaldo Tchingombe, Sociólogo e Analista Político

