Neste sábado, milhares de pessoas se reuniram em Washington para protestar contra a segunda tomada de posse do presidente eleito Donald Trump, que ocorrerá na próxima segunda-feira. A manifestação, conhecida como “Marcha do Povo”, teve uma presença marcante de mulheres, algumas delas usando os icônicos chapéus cor-de-rosa que se tornaram símbolos de resistência durante os protestos contra a primeira posse de Trump, em 2017.
Os manifestantes, carregando cartazes com mensagens de diversas causas sociais, se concentraram em três pontos diferentes ao longo do centro da cidade, num raio de cinco quarteirões. Entre os temas abordados estavam a justiça de gênero, a autonomia sobre o corpo, a defesa da democracia, imigração e questões locais de Washington. A marcha teve como destino final o Memorial de Lincoln, um dos pontos mais emblemáticos da cidade.
No Franklin Park, um dos locais de concentração, os participantes enfrentaram uma leve chuva enquanto se reuniam para defender os direitos das mulheres e a liberdade reprodutiva. Em dois outros pontos, perto da Casa Branca, os manifestantes se uniram em torno de questões como a preservação da democracia e a luta pelos direitos dos imigrantes, antes de seguir para o evento central.
Embora a mobilização fosse significativa, o protesto foi menor em comparação ao gigantesco movimento de 2017. Parte disso pode ser atribuída ao impacto da vitória de Trump sobre a vice-presidente Kamala Harris nas eleições de novembro, o que dividiu ainda mais os movimentos de direitos das mulheres nos EUA.
Lillian Fenske, de 31 anos, viajou seis horas desde Greensboro, na Carolina do Norte, para participar da marcha. Ela trouxe cartazes que criticavam os oligarcas e a desunião no país, com mensagens como “A América não está à venda” e “Divididos Caímos”. Fenske expressou seu receio de que os direitos das pessoas fossem comprometidos, dizendo: “Espero que não tirem os direitos de toda a gente e que as coisas não voltem a ser terríveis.”
Entre os manifestantes, havia vendedores oferecendo botões com mensagens como #MeToo e “O amor supera o ódio”. Cartazes com slogans como “Feministas contra Fascistas” e “O povo acima da política” também eram comuns. Mini Timmaraju, diretora de um grupo de defesa da liberdade reprodutiva, se dirigiu à multidão dizendo que o apoio ao direito ao aborto permanece forte, apesar da vitória de Trump, e a multidão cantou em coro: “Nós somos a maioria!”
O evento foi organizado por uma coalizão de grupos de defesa dos direitos civis, da justiça social e dos direitos das mulheres, incluindo os mesmos organizadores da Marcha das Mulheres de 2017. A marcha de Washington foi parte de um movimento mais amplo, com mais de 350 manifestações acontecendo em todo o país.
Enquanto Trump se prepara para assumir seu segundo mandato, a “Marcha do Povo” foi uma demonstração de resistência e solidariedade entre aqueles que continuam a lutar por direitos civis, justiça social e a preservação das conquistas das últimas décadas.