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Inundações no Nepal deixam pelo menos 95 mortos e centenas de desaparecidos

by Marcelino Gimbi

Uma portuguesa está entre as pessoas dadas como desaparecidas após as cheias e deslizamentos que atingiram o Nepal, junto à fronteira com a China. As autoridades mobilizaram equipas de emergência e helicópteros para as operações de busca e salvamento.

Katmandu, 26 de agosto de 2026 — Pelo menos 95 pessoas morreram na sequência de fortes inundações repentinas e deslizamentos de terras que atingiram várias zonas do Nepal, sobretudo áreas montanhosas próximas da fronteira com a China.

A tragédia provocou ainda centenas de desaparecidos, entre os quais se encontra uma cidadã portuguesa. A informação foi confirmada à Euronews pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português, que indicou que a mulher se encontrava num posto fronteiriço do lado nepalês.

As operações de busca e salvamento continuam, numa altura em que as autoridades ainda tentam determinar a verdadeira dimensão dos estragos provocados pelas cheias.

Imagens divulgadas pelas autoridades mostram grandes quantidades de água barrenta a atravessar vales e zonas habitadas, arrastando veículos, casas e outros destroços.

No distrito de Nuwakot, testemunhas relataram cenas de grande destruição junto ao rio Trishuli.

Um residente afirmou ter visto a corrente arrastar oito ou nove camiões, casas e pessoas, descrevendo a situação como uma das maiores devastações que já presenciou.

As autoridades tinham anteriormente alertado as populações que vivem junto às margens dos rios para abandonarem as zonas de maior risco.

Entre os desaparecidos encontra-se uma cidadã portuguesa que estava num posto fronteiriço no Nepal.

A informação foi confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português, mas, até ao momento, não foram divulgados publicamente outros detalhes sobre a identidade ou as circunstâncias do desaparecimento.

As equipas de emergência continuam a procurar sobreviventes nas zonas afetadas.

Perante a dimensão da catástrofe, o Exército do Nepal mobilizou helicópteros e equipas especializadas em resposta a desastres para apoiar as operações de socorro.

O acesso a várias localidades está dificultado devido à destruição ou ao encerramento de estradas, enquanto existe também o risco de novos deslizamentos de terras.

As autoridades enfrentam, por isso, dificuldades para chegar a algumas das comunidades atingidas.

A catástrofe provocou igualmente danos significativos na infraestrutura energética do Nepal.

A Autoridade de Eletricidade do Nepal estima que cerca de 430 megawatts de capacidade de produção tenham sido afetados, incluindo instalações hidroelétricas e solares.

Os danos atingiram estruturas de produção, transporte e distribuição de eletricidade, provocando interrupções no fornecimento em várias zonas.

Especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD), sediado em Katmandu, apontam para a possibilidade de uma avalanche de rocha e gelo ter bloqueado o rio Lhende.

O bloqueio teria provocado uma sucessão de inundações, aumentando rapidamente o volume de água e desencadeando correntes capazes de transportar enormes quantidades de lama, pedras, árvores e veículos.

Do lado chinês da fronteira, uma avaliação preliminar não terá identificado anomalias semelhantes, embora também tenham sido registados efeitos relacionados com deslizamentos e inundações na região.

No Tibete, a televisão estatal chinesa CCTV informou que um deslizamento de terras ocorrido no lado nepalês provocou vítimas e desaparecidos na zona do porto de Gyirong.

O Presidente chinês, Xi Jinping, ordenou que fossem realizados esforços máximos para localizar e resgatar os desaparecidos, tratar os feridos e reduzir o número de vítimas.

As autoridades chinesas também alertaram para o perigo de novos deslizamentos de terras e recomendaram cautela nas estradas da região.

As inundações ocorrem durante a época das monções, que normalmente se estende de junho a setembro e provoca fortes chuvas em várias regiões do Sul da Ásia.

No Nepal, a combinação de precipitação intensa, terreno montanhoso e rios de forte corrente aumenta significativamente o risco de cheias repentinas e deslizamentos de terras.

As autoridades continuam a trabalhar para localizar os desaparecidos e avaliar os danos, enquanto o número de vítimas poderá aumentar à medida que as equipas de emergência consigam alcançar as áreas mais isoladas.

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