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Trump evita declarar apoio a Netanyahu nas eleições israelitas

Primárias do Likud testam liderança de Netanyahu

by Marcelino Gimbi

Washington/Jerusalém — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a não assumir publicamente uma posição de apoio à candidatura do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, nas eleições legislativas marcadas para 27 de outubro.

Numa declaração à Fox News, posteriormente reproduzida por meios de comunicação israelitas, Trump afirmou que considera mais adequado manter-se afastado da disputa eleitoral em Israel. Ao mesmo tempo, deixou aberta a possibilidade de vir a apoiar outro candidato.

A posição do presidente norte-americano surge num momento politicamente delicado para Netanyahu, que enfrenta dificuldades nas sondagens e contestação dentro do próprio partido, o Likud.

O Likud realizou esta segunda-feira eleições internas destinadas a definir parte da sua lista de candidatos ao Knesset, o parlamento israelita.

As primárias são encaradas como um teste à liderança de Netanyahu, sobretudo perante a existência de setores do partido que defendem uma orientação mais moderada.

Apesar das dificuldades eleitorais, a liderança de Netanyahu no Likud não está diretamente em causa neste processo, uma vez que a escolha do líder do partido obedece a um procedimento separado.

O primeiro-ministro mantém também influência significativa sobre a composição da lista eleitoral, tendo autorização para indicar candidatos para vários lugares previamente definidos.

Trump e Netanyahu mantiveram durante anos uma relação política próxima, mas os contactos recentes entre ambos têm ocorrido num contexto de divergências sobre a condução dos conflitos no Médio Oriente.

Segundo informações divulgadas pelo portal Axios, as possibilidades de Netanyahu permanecer no cargo terão sido abordadas durante a reunião que os dois líderes realizaram no mês passado na Casa Branca.

Entre os temas de tensão estão a guerra contra o Irão, a presença militar israelita no sul do Líbano e as negociações relativas ao futuro da Faixa de Gaza.

Netanyahu também rejeitou um plano do Conselho da Paz para Gaza, apoiado pelos Estados Unidos e aceite pelo Hamas, que previa, entre outras medidas, o desarmamento das milícias palestinianas e a retirada das forças israelitas do território.

O primeiro-ministro israelita afirmou entretanto ter chegado a um entendimento para a criação de um grupo responsável por acompanhar o processo de desmilitarização de Gaza. Netanyahu mantém, contudo, a posição de que Israel só deverá retirar-se completamente do território depois de concluído esse processo.

Os estudos de opinião realizados em Israel colocam o Likud em situação desfavorável. O partido de Netanyahu aparece empatado ou atrás do Yashar, força centrista fundada em 2025 e liderada pelo antigo chefe das Forças Armadas israelitas, Gadi Eisenkot.

Nenhum dos principais blocos políticos, porém, reúne atualmente projeções suficientes para alcançar sozinho a maioria dos 120 lugares do Knesset.

A coligação B’Yachad, formada este ano pelos antigos primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, surge em terceiro lugar, seguida pelo Yisrael Beytenu, de Avigdor Liberman.

Os Democratas, uma formação social-democrata sionista liderada pelo antigo general Yair Golan, aparecem também entre as forças com maior intenção de voto.

Os partidos religiosos e de extrema-direita que integram ou apoiam a atual coligação governamental continuam, por sua vez, a enfrentar dificuldades nas projeções eleitorais.

Nas primárias, os militantes do Likud escolheram candidatos para lugares nacionais e distritais da lista parlamentar.

O processo poderá determinar a composição de uma parte significativa da futura bancada do partido, especialmente porque as sondagens apontam para uma redução do número de deputados do Likud em comparação com as eleições de 2022.

Netanyahu conserva, contudo, o poder de indicar diretamente candidatos para vários lugares da lista, uma prerrogativa que foi ampliada ao longo dos últimos anos.

Segundo dados do Instituto da Democracia de Israel, o número de posições que o líder do Likud pode reservar por decisão própria aumentou de duas em 2015 para cinco em 2022 e chegou a oito para as eleições de 2026.

Entre as figuras já escolhidas por Netanyahu estão o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, o ministro da Defesa, Israel Katz, o presidente do Comité Central do Likud, Haim Katz, e o empresário Oren Dobronsky.

Com a aproximação das eleições, a posição de Netanyahu dependerá não apenas do desempenho do Likud, mas também da capacidade dos diferentes blocos políticos para formar uma maioria parlamentar.

A ausência, por enquanto, de um apoio explícito de Trump acrescenta uma nova dimensão à disputa eleitoral israelita, numa altura em que o primeiro-ministro procura preservar a liderança do Governo e manter a sua influência política.

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