O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou uma nova operação de pressão económica contra o Irão, denominada “Operation Economic Outcast”, com o objetivo de cortar as ligações financeiras de Teerão e atingir as redes que, segundo Washington, sustentam o regime iraniano.
Durante uma conferência de imprensa, Bessent afirmou que os Estados Unidos pretendem lançar uma campanha de grande dimensão contra a República Islâmica do Irão e os seus aliados, prometendo bloquear as principais fontes de receitas utilizadas pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Segundo o secretário do Tesouro, qualquer entidade que facilite operações financeiras destinadas a contornar as sanções norte-americanas poderá ser excluída do sistema financeiro baseado no dólar.
Bessent advertiu ainda que países e empresas que continuem a negociar com o Irão poderão ser alvo de sanções secundárias.
O responsável norte-americano afirmou que Washington identificou redes utilizadas pelo Irão para comercializar petróleo e contornar as sanções internacionais e garantiu que os Estados Unidos vão intensificar os esforços para bloquear essas fontes de financiamento.
As novas medidas deverão concentrar-se em sectores considerados estratégicos, incluindo activos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo.
Sobre a eventual participação de instituições financeiras chinesas em operações relacionadas com o petróleo iraniano, Bessent afirmou que nenhum país ou entidade estará fora do alcance das sanções norte-americanas caso facilite transações que permitam transformar petróleo iraniano em receitas.
Paralelamente ao anúncio da nova operação, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou sanções contra cerca de 60 indivíduos, empresas e navios ligados ao Irão.
As medidas abrangem redes relacionadas com os programas nuclear e de mísseis, aquisição de tecnologia e equipamentos para o desenvolvimento de mísseis balísticos, ciberataques e comércio de petróleo.
Entre os alvos estão 15 indivíduos, incluindo cidadãos iranianos, chineses, gregos, singapurenses e de outras nacionalidades.
Também foram sancionadas 38 empresas e outras entidades, com presença sobretudo em Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Singapura e China.
As autoridades norte-americanas sancionaram ainda uma rede de intermediários, empresas e navios associados à chamada “frota sombra”, utilizada para transportar petróleo iraniano através de diferentes países.
Segundo Washington, parte das receitas provenientes dessas operações é canalizada para a Força Quds, unidade de operações externas da Guarda Revolucionária Islâmica, e para outros sectores do regime iraniano.
Em paralelo, o Departamento de Estado dos EUA impôs sanções a sete membros da liderança da Defesa iraniana e duas entidades acusadas de apoiar ataques militares iranianos contra forças norte-americanas e aliados na região.
A ofensiva anunciada por Washington representa um novo aumento da pressão económica sobre Teerão e poderá também afectar empresas e instituições de países terceiros que mantenham relações comerciais com o Irão.

