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Mais de 100 migrantes fazem greve de fome em Ceuta para exigir asilo

by Marcelino Gimbi

Ceuta — Mais de uma centena de migrantes marroquinos que permanecem acampados na praia de Trampolín, em Ceuta, iniciaram uma greve de fome para pressionar as autoridades espanholas a encontrar uma solução para a sua situação e permitir-lhes permanecer em Espanha.

Lusa

Os migrantes chegaram ao enclave espanhol durante a entrada em massa registada a 30 de julho e estão há cerca de 18 dias instalados naquela zona. Segundo relatos divulgados pela agência espanhola EFE, a greve de fome começou no domingo.

Um dos migrantes, identificado como Youssef, de aproximadamente 40 anos, afirmou que o grupo não pretende causar problemas e que a principal reivindicação é deixar o local onde se encontra acampado e ter acesso a proteção em território espanhol.

Com cartazes e faixas, os manifestantes afirmam ser marroquinos e recusam regressar ao país de origem. Pedem asilo em Espanha e dizem estar preparados para manter a greve de fome até que seja encontrada uma solução.

Youssef apelou à intervenção do presidente do Governo de Ceuta, Juan Jesús Vivas, do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e do rei Felipe VI. Segundo o migrante, nenhuma destas autoridades se deslocou ao local para conversar diretamente com o grupo.

Os migrantes também afirmam não querer perturbar a população de Ceuta, sobretudo perante a aproximação do regresso das crianças às escolas. Por isso, esperam que a situação seja resolvida antes do início do novo período escolar.

As condições de permanência na praia de Trampolín são apontadas pelos migrantes como particularmente difíceis. Durante o dia, enfrentam temperaturas elevadas, enquanto durante a noite são obrigados a lidar com temperaturas mais baixas.

Entretanto, o Governo espanhol anunciou medidas de emergência para reforçar a capacidade de acolhimento em Ceuta.

A ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, informou que várias estruturas temporárias de ajuda humanitária serão instaladas no território. A previsão é disponibilizar alojamento imediato para cerca de 1.500 migrantes.

Os espaços de acolhimento serão distribuídos por quatro locais: o parque de estacionamento do centro de maneio de gado de Loma del Colmenar, o centro equestre, o antigo campo de futebol do quartel da Cavalaria e a zona conhecida como El Guano.

Parte dos terrenos pertence à cidade autónoma de Ceuta, enquanto outros estão sob responsabilidade do Governo espanhol.

Os trabalhos de preparação já começaram, incluindo a montagem de tendas em Loma del Colmenar. A intenção das autoridades é colocar estas instalações em funcionamento rapidamente para começar a receber migrantes.

Os migrantes que permanecem na praia fazem parte do grupo que entrou em Ceuta durante o movimento migratório de 30 de julho. Segundo os dados citados, mais de 72 mil pessoas terão entrado no enclave espanhol num período de apenas 24 horas.

Grande parte regressou posteriormente de forma voluntária a Marrocos. Cerca de 70 mil migrantes já tinham retornado ao país vizinho aproximadamente uma semana depois da entrada.

Ceuta é um pequeno território espanhol situado no norte de África, com cerca de 83 mil habitantes. Localizado junto ao estreito de Gibraltar, constitui, juntamente com Melilla, uma das duas fronteiras terrestres entre África e a União Europeia.

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