Vários países da União Europeia condenaram as recentes declarações da Rússia dirigidas aos diplomatas estrangeiros em Kiev, considerando-as uma tentativa de intimidação. Em resposta, governos como os da Alemanha, França, Espanha, Polónia e Países Baixos convocaram os embaixadores russos para manifestar protesto formal.
O clima de tensão agravou-se depois de Moscovo ter recomendado que cidadãos estrangeiros e representantes diplomáticos abandonassem Kiev “o mais rapidamente possível”, alegando riscos de novos ataques aéreos contra a capital ucraniana.
A Comissão Europeia e diversos Estados-membros garantiram, entretanto, que as suas missões diplomáticas continuarão em funcionamento na Ucrânia, rejeitando qualquer recuo perante as ameaças russas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês acusou Moscovo de agir com “cinismo” e de demonstrar desrespeito pelo direito internacional. Paris afirmou ainda que as ações da Rússia refletem as dificuldades militares enfrentadas pelo Kremlin no conflito com a Ucrânia.
Também o governo espanhol apresentou um protesto formal ao embaixador russo em Madrid. Fontes diplomáticas indicaram que Espanha condenou tanto as ameaças contra diplomatas como os recentes ataques de grande escala realizados contra Kiev.
Segundo Madrid, a posição espanhola mantém-se alinhada com os parceiros europeus, reiterando o apoio ao direito de autodefesa da Ucrânia e apelando à Rússia para encerrar a ofensiva militar e retomar negociações “de boa-fé” para uma paz duradoura.
Na Estónia, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Margus Tsahkna, classificou as ameaças como “inaceitáveis” e uma violação clara da Carta das Nações Unidas. O governante assegurou ainda que os diplomatas estónios permanecerão em Kiev.
Por sua vez, a Polónia advertiu que qualquer ataque às suas missões diplomáticas será interpretado como uma ação “deliberada e intencional”.
Em meio às críticas europeias, Moscovo endureceu o discurso. O vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dmitry Medvedev, ironizou a decisão da União Europeia de manter a presença diplomática em Kiev, afirmando que os países europeus “parecem ter diplomatas a mais”.
A nova escalada diplomática surge num momento que algumas capitais europeias discutem a possibilidade de contactos diretos com Moscovo para tentar encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia.
A Comissão Europeia reagiu afirmando que a Rússia “não demonstra qualquer interesse real na paz”, reforçando a posição europeia de apoio contínuo à Ucrânia.

