O Presidente da União dos Camponeses da Cidade de Maputo, Tomas Rafael, afirmou que o Dia Internacional da Luta Camponesa representa uma luta contínua pela valorização do papel dos produtores rurais e pela soberania alimentar.
Segundo o dirigente, a data simboliza a resistência de uma classe fundamental para a sobrevivência da sociedade.
“Este é o dia da luta dos camponeses, uma luta que não termina. Queremos mostrar ao mundo que os camponeses existem, e que sem eles nada acontece”, declarou.
Para assinalar a efeméride, os produtores reuniram-se com o objectivo de reforçar a união e celebrar a sua contribuição para o país. “Estamos aqui para valorizar esta data e reafirmar a importância do camponês na sociedade”, acrescentou.
Questionado sobre a mensagem dirigida aos moçambicanos, Tomas Rafael destacou a necessidade de reconhecer o papel dos produtores rurais na economia e na segurança alimentar.
“Que valorizem os produtores, porque são eles que garantem a saúde e o sustento da nação”, sublinhou.
O líder camponês alertou ainda para a dependência de sementes importadas, defendendo maior aposta nas variedades locais.
“Durante muito tempo dependemos de sementes vindas de outros países, esquecendo a nossa realidade. Queremos que Moçambique valorize as sementes nativas, que são património nacional”, afirmou.
A questão das sementes continua a ser um dos principais desafios no sector agrícola. De acordo com Tomas Rafael, existe um debate entre o uso de sementes melhoradas e as sementes nativas.
“Há quem diga que as sementes melhoradas são superiores, mas para os camponeses as sementes nativas são mais vantajosas, porque garantem independência. Não podemos depender de tudo”, defendeu.
A celebração deste ano do Dia Internacional da Luta Camponesa, sob o lema “Por uma Lei de Terras que respeite os direitos dos camponeses: Resistir, Cultivar e Transformar”, recorda os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Brasil, onde 21 camponeses foram mortos durante uma manifestação por reforma agrária
A data serve também para reforçar a necessidade de justiça e mobilização global em defesa dos direitos campesinos.
Terra e soberania alimentar no centro das reivindicações
Os camponeses defendem que o acesso à terra é um direito fundamental e base para o desenvolvimento das comunidades. A soberania alimentar entendida como o direito dos povos de definirem os seus próprios sistemas agrícolas e alimentares continua a ser uma das principais bandeiras.
Neste contexto, apelam aos decisores políticos, particularmente aos deputados da Assembleia da República, para que a revisão da Lei de Terras responda às necessidades das comunidades rurais.
Exigências do sector
Entre as principais reivindicações, destacam-se:
Fim das expropriações e usurpação de terras;
Garantia de reassentamento justo em caso de investimentos;
Políticas públicas inclusivas e apoio à agricultura familiar;
Acesso ao crédito, assistência técnica e infra-estruturas rurais;
Promoção da agroecologia e sistemas sustentáveis de produção.
Os camponeses defendem ainda uma legislação progressista que reconheça os direitos consuetudinários, assegure a consulta comunitária e proteja o uso e aproveitamento da terra pelas comunidades.
Mulheres agricultoras em destaque
O ano de 2026 foi declarado como o Ano Internacional das Mulheres Agricultoras, destacando o papel essencial das mulheres na produção de alimentos e na defesa dos direitos no meio rural, num contexto marcado por desafios como as mudanças climáticas e a violência de género.
Compromisso com o futuro
Os camponeses reafirmam o compromisso de continuar a produzir alimentos e a lutar pelos seus direitos, sublinhando que a terra é um elemento central para a vida e dignidade das comunidades.
“Terra: Minha Vida, Meu Futuro.
Semente: Património dos Povos ao Serviço da Humanidade.
Camponeses Unidos, Sempre Venceremos.”

