O antigo Presidente da República Joaquim Chissano afirmou que a consolidação da paz em Moçambique depende da existência de instituições sólidas, transparentes e próximas dos cidadãos. As declarações foram feitas em Maputo, durante um evento dedicado à arquitetura de paz no país.
Intervindo no segundo dia do encontro promovido pelo Centro de Diálogo Ndzualo, o antigo chefe de Estado sublinhou que a estabilidade duradoura exige justiça social e cooperação sincera entre o Estado e a sociedade civil.
Chissano defendeu que jovens e mulheres devem assumir um papel central nos processos de decisão, reforçando a necessidade de envolvimento direto das comunidades na construção de soluções e na partilha dos benefícios do desenvolvimento.
O ex-estadista considerou que Moçambique precisa de valorizar soluções internas para os seus desafios de pacificação, evitando a dependência exclusiva de modelos externos. Ainda assim, reconheceu a experiência da Organização das Nações Unidas em processos de paz, embora tenha apontado limitações, nomeadamente na composição do Conselho de Segurança, tema que vários países africanos procuram reformar.
Com o país prestes a assinalar o Dia da Mulher Moçambicana e perante a persistência do conflito em Cabo Delgado, Chissano apelou a uma participação ativa das mulheres na identificação das causas da violência e na definição de soluções para a paz duradoura.

