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Especialistas defendem soberania científica na IV Conferência CPLP-África

by Marcelino Gimbi

Durante a IV Conferência de Jovens Investigadores da CPLP – África, especialistas defenderam a necessidade de repensar o modelo de investigação científica em Moçambique e no continente africano, sublinhando que a crise no sector não pode ser explicada apenas pela falta de financiamento.

O investigador Carlos Fernandes, director adjunto para Investigação e Extensão do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, afirmou que o debate sobre ciência e políticas públicas deve ser multidimensional e pluralista, indo além da questão financeira. Segundo o académico, a produção científica exige uma reflexão profunda sobre as condições estruturais e a autonomia do conhecimento.

Carlos Fernandes recordou que o desenvolvimento das instituições académicas em Moçambique ocorreu num contexto de forte financiamento internacional, como o apoio sueco, que permitiu a criação de espaços de autonomia científica. No entanto, alertou que a dependência externa persiste e continua a levantar questões sobre soberania científica e capacidade de produção autónoma de conhecimento.

Para o investigador, o problema não se limita ao subfinanciamento. Envolve também a forma como o conhecimento é produzido e as agendas de investigação são definidas, frequentemente influenciadas por modelos de consultoria e interesses externos.

O académico defendeu ainda a necessidade de reforçar a ligação entre universidades, sociedade e decisores políticos, promovendo uma “ética da conversa” baseada no respeito, diálogo e abertura ao debate. Segundo Fernandes, a descolonização do conhecimento exige mudanças nas infra-estruturas institucionais e nas condições materiais da investigação, apontando desafios como financiamento insuficiente, dependência dos centros de investigação e arquivos negligenciados.

O sociólogo Elísio Macamo, director do Centro de Estudos Africanos, destacou que a questão central não é apenas o financiamento ou os conteúdos leccionados, mas a qualidade do conhecimento produzido e a capacidade de formular problemas de forma independente.

Macamo sublinhou a importância de distinguir “inteligência” e “imaginação”, defendendo que as universidades devem formar profissionais capazes de questionar paradigmas e criar novas formas de pensar. Para o académico, a emancipação científica passa pela capacidade de gerar perguntas próprias, em vez de apenas aplicar respostas importadas.

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