A escalada militar no Médio Oriente agravou-se nas últimas horas, com registo de baixas entre forças norte-americanas e civis israelitas, na sequência dos ataques cruzados entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.
O Departamento de Defesa dos EUA confirmou, este domingo, a morte de três militares norte-americanos e ferimentos graves em outros cinco, no âmbito da operação conjunta com Israel contra alvos iranianos, designada “Fúria Épica”. Segundo o Pentágono, há ainda vários soldados com ferimentos ligeiros, enquanto os confrontos continuam no terreno.
Em resposta aos bombardeamentos, Teerão lançou ofensivas contra posições militares norte-americanas na região do Golfo, poupando Omã. A retaliação iraniana atingiu também território israelita. Na cidade de Beit Shemesh, no centro de Israel, pelo menos nove civis morreram após um ataque com mísseis que atingiu uma zona residencial. Os Emirados Árabes Unidos reportaram três mortos e o Kuwait uma vítima mortal desde sábado.
Entretanto, a televisão estatal iraniana anunciou a morte do líder supremo, Ali Khamenei, que liderava o país desde 1989. A informação foi inicialmente avançada por meios de comunicação israelitas e internacionais, com a confirmação de que o corpo teria sido encontrado nos escombros da sua residência em Teerão. Após o anúncio, foram ouvidos festejos em vários bairros da capital iraniana, com relatos de fogo de artifício e manifestações de júbilo.
Na sequência da morte de Khamenei, foi nomeado líder supremo interino o religioso Alireza Narafi, considerado próximo do antigo aiatola, até à escolha de um sucessor permanente.
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica prometeu desencadear uma ofensiva “devastadora” contra bases norte-americanas e contra Israel. Também o principal conselheiro de Khamenei, Ali Larijani, recorreu às redes sociais para prometer vingança contra os dois países.
Do lado norte-americano, o ex-presidente Donald Trump afirmou que a operação militar conjunta eliminou dezenas de dirigentes iranianos e garantiu que as ações estão a “avançar rapidamente”. Já o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, assegurou que os ataques vão intensificar-se nos próximos dias e apelou à população iraniana para aproveitar o momento e contestar o regime.
De acordo com dados do Crescente Vermelho, os bombardeamentos já terão provocado mais de 200 mortos e cerca de 700 feridos no Irão. Entre os episódios mais graves está um ataque a uma escola no sul do país, que terá causado pelo menos 153 vítimas mortais, incluindo crianças, segundo as autoridades iranianas.
O conflito mantém-se em rápida evolução, num contexto de forte tensão diplomática e militar, enquanto prosseguem negociações difíceis em torno do programa nuclear iraniano.

