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Jornalista angolano diz ter sido espionado com spyware e anuncia queixa ao Ministério Público

by Marcelino Gimbi

Luanda – O jornalista angolano Teixeira Cândido afirmou que vai apresentar uma participação criminal ao Departamento Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), depois de ter sido identificado como alvo de espionagem digital através do spyware Predator, considerado um dos programas de vigilância mais intrusivos da actualidade.

O antigo secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos revelou que pretende procurar aconselhamento jurídico e formalizar a queixa junto do Ministério Público, admitindo a possibilidade de a infeção no seu telemóvel ter origem numa entidade pública. Caso essa suspeita se confirme, considera tratar-se de um claro “abuso de poder” e de uma grave violação da privacidade.

O jornalista recordou que a Amnistia Internacional denunciou, em 2023, a alegada aquisição deste tipo de tecnologia de vigilância pelo Governo angolano, sem que tenha havido, até ao momento, uma reação oficial. Sublinhou ainda que a empresa responsável pelo desenvolvimento do Predator, a Intellexa, não comercializa estes produtos a particulares, o que reforça as suspeitas de envolvimento estatal.

Segundo a Amnistia Internacional, o ataque ocorreu em 2024, após Teixeira Cândido ter clicado num link malicioso. O caso foi identificado no âmbito de uma investigação realizada em colaboração com as organizações Friends of Angola e Front Line Defenders.

O jornalista relatou ainda um histórico de intimidações, incluindo assaltos repetidos à sede do sindicato e o envio de mensagens anónimas que aumentaram as suas desconfianças de estar sob vigilância. Esses episódios levaram-no a adoptar maior cautela no uso de e-mails, telemóveis e computadores.

Em declarações à Lusa, Teixeira Cândido explicou que foi posteriormente contactado pela Friends of Angola, que, em articulação com as restantes organizações, lhe prestou apoio técnico para analisar o telemóvel.

De acordo com o jornalista, parte das mensagens suspeitas foi recebida através do WhatsApp, provenientes de um número associado à operadora angolana Unitel, que se apresentava como pertencente a um grupo de estudantes e continha ficheiros e links com alegada informação relacionada com jornalistas.

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