Maputo – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) lançou um apelo à solidariedade internacional perante as graves cheias que afetam várias regiões de Moçambique, provocadas por semanas de chuvas intensas associadas a fenómenos climáticos extremos.
Em comunicado divulgado à imprensa, o Secretariado Executivo da CPLP manifestou solidariedade para com o Governo e o povo moçambicano, sublinhando o impacto severo das inundações, que resultaram em perdas humanas, deslocação de populações e danos significativos em infraestruturas essenciais. A organização endereçou ainda condolências às famílias das vítimas mortais das calamidades.
A CPLP apelou ao envolvimento da comunidade internacional no apoio às populações mais vulneráveis que vivem nas zonas afetadas, com destaque para as províncias de Maputo e Gaza, consideradas entre as mais críticas. No mesmo documento, a organização instou entidades internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a reforçarem a cooperação, as parcerias e as ações concretas em nome da justiça climática.
Além da assistência imediata, o Secretariado Executivo defendeu o reforço de programas de prevenção nas áreas mais expostas, o aumento da ajuda humanitária às populações vulneráveis, o apoio aos deslocados climáticos e a mobilização de mais recursos para enfrentar as alterações climáticas e os fenómenos extremos, como as chuvas torrenciais que têm atingido o país.
A CPLP garantiu ainda que continuará a intensificar esforços para implementar as decisões da Declaração da Cimeira que aprovou o Quadro Estratégico sobre Alterações Climáticas da organização, com o objetivo de reduzir os impactos das crises climáticas cíclicas nos Estados-membros.
Segundo dados mais recentes do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a época chuvosa já provocou a morte de 114 pessoas em Moçambique, deixando ainda seis desaparecidos e 99 feridos. No total, cerca de 680 mil pessoas foram afetadas, o equivalente a mais de 141 mil famílias.
As autoridades contabilizam mais de 11 mil casas parcialmente destruídas e quase cinco mil totalmente destruídas. Dos centros de acomodação abertos desde o início das chuvas, 72 continuam em funcionamento, acolhendo mais de 88 mil pessoas, incluindo milhares retiradas de zonas de risco.
O impacto estende-se também à agricultura e à pecuária. Mais de 165 mil hectares de terras agrícolas foram afetados, dos quais cerca de 76 mil considerados perdidos, prejudicando mais de 112 mil agricultores. Registou-se ainda a morte de mais de 61 mil cabeças de gado. O Governo estima que cerca de 40% da província de Gaza esteja submersa, com vários distritos de Maputo inundados e pelo menos 152 quilómetros de estradas nacionais totalmente destruídos.

