O Embaixador da República da Zâmbia em Angola, Elias Munshya, visitou esta segunda-feira, 12 de Janeiro, o Porto do Lobito, onde constatou in loco a dimensão e o impacto estratégico desta infra-estrutura integrada no Corredor do Lobito, considerado hoje uma das principais plataformas logísticas da África Austral. A visita insere-se na agenda do diplomata para o reforço das relações históricas e económicas entre Angola e a Zâmbia.
By: Victor Kavinda
Durante o encontro com o Conselho de Administração, o Embaixador zambiano sublinhou que esta foi a primeira visita oficial ao Porto do Lobito desde que assumiu funções, no final de 2025, confessando ter ficado impressionado com os progressos alcançados. “Aquilo que durante muito tempo foi um sonho transformou-se numa realidade concreta. O que vimos aqui demonstra que o Porto do Lobito está preparado para servir não apenas Angola, mas todo o interior de África”, afirmou.
Movido pela convicção de que o desenvolvimento regional passa pela integração logística, Elias Munshya destacou a sua “paixão por conectar o Porto do Lobito ao interior do continente”, assegurando que irá reportar de imediato ao Governo zambiano todas as potencialidades observadas, tanto no domínio do movimento de cargas como no turismo. “Os negócios entre Angola e a Zâmbia estão a acontecer e este corredor cria condições reais para que cresçam ainda mais”, frisou.
O diplomata realçou igualmente a província de Benguela como uma das mais estratégicas de Angola, lembrando que nela se concentram infraestruturas vitais para a Zâmbia, como o Porto do Lobito e o Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), essenciais para o programa de integração regional e para o escoamento eficiente de mercadorias. Revelou ainda um dado simbólico: “É em Chingola, na província zambiana de Copperbelt, cidade onde nasci, que termina o Corredor do Lobito. Isso dá-me uma ligação pessoal e histórica a este projecto”.
Durante a visita, a delegação zambiana realizou ainda uma visita guiada ao Terminal de Segunda Linha, conhecido como Porto Seco, infraestrutura que vai apoiar a Zâmbia e a República Democrática do Congo (RDC). No local, foram apresentados os mecanismos operacionais e as vantagens logísticas deste terminal, que permitirá maior fluidez no tráfego de cargas, descongestionamento do porto marítimo e ganhos significativos em eficiência no escoamento regional.
Munshya considerou o Corredor do Lobito como o acesso mais fácil e competitivo ao mar, defendendo que os benefícios vão muito além da economia. “Este corredor vai servir a cultura, o turismo e o desenvolvimento humano. O tempo de agir é agora”, declarou.
Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Portuária do Lobito, E.P., evocou o percurso histórico das relações exemplares entre Angola e a Zâmbia, iniciadas pelos antigos Presidentes António Agostinho Neto e Kenneth Kaunda, cujo sonho comum era ver as economias dos dois países crescerem de forma integrada. Segundo o gestor, essa visão continua viva sob a liderança dos Presidentes João Lourenço e Hakainde Hichilema.
O PCA sublinhou ainda que, nos últimos anos, o Governo de Angola realizou investimentos significativos nas infraestruturas de transportes, com destaque para a modernização do Porto do Lobito e do Caminho-de-Ferro de Benguela, criando condições para facilitar o comércio e o tráfego de mercadorias entre Angola, Zâmbia e a República Democrática do Congo. “Existem vários corredores em África, mas o Corredor do Lobito é o mais rápido, mais económico e mais eficiente. Cabe-nos trabalhar juntos para o colocar a funcionar em pleno”, concluiu.
A visita do Embaixador da Zâmbia surge como mais um sinal claro do crescente interesse regional e internacional pelo Corredor do Lobito, reforçando o seu papel como eixo estratégico para o comércio, a integração africana e o desenvolvimento sustentável.

