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Angola cria “inimigo russo” para justificar repressão à greve dos taxistas

by Marcelino Gimbi

Os violentos protestos provocados pela greve dos taxistas, nos dias 28 e 29 de julho, deixaram mais de 30 mortos e cerca de 1.200 detenções em Angola. Face à crescente indignação popular, o governo respondeu com uma narrativa de ingerência estrangeira, apontando, desta vez, a Rússia como responsável por fomentar a instabilidade no país.

De acordo com o Serviço de Investigação Criminal (SIC), dois cidadãos russos – Lev Lakshtanov, de 65 anos, e Igor Ratchin, de 38 – foram detidos sob suspeita de terrorismo, associação criminosa e falsificação de documentos. A acusação sustenta que ambos teriam recrutado e financiado angolanos para divulgar “propaganda” e incitar protestos nas redes sociais.

Entre os angolanos implicados estão o jornalista Amor Carlos Tomé, da TPA, e Oliveira Francisco, conhecido como Buka Tanda, dirigente da Juventude da UNITA (JURA). Segundo o SIC, eles teriam colaborado com os russos na criação de uma “Casa de Cultura Russa” e participado em atividades de recolha de informações e produção de conteúdos críticos à governação.

Entretanto, documentos judiciais consultados revelam inconsistências. Uma certidão emitida em setembro indica que a prisão de Tomé se deveu apenas a crimes de associação criminosa, introdução ilícita de moeda estrangeira e falsificação de documentos, sem referência a terrorismo.

A suposta ligação dos detidos à organização *Africa Politology*, tida como próxima do extinto Grupo Wagner, também é contestada. Embora o grupo russo tenha presença em vários países africanos, não há provas públicas de atuação formal em Angola.

Lakshtanov, radicado no país há mais de três décadas, trabalhou como tradutor e formador de militares angolanos, enquanto Ratchin é empresário com negócios variados na Rússia. Ambos teriam mantido encontros com figuras políticas de diferentes partidos, incluindo dirigentes do MPLA e da UNITA – algo que, segundo analistas, pode ter contribuído para a acusação de “ingerência”.

A ligação entre os russos e a greve dos taxistas continua, contudo, por demonstrar. A principal evidência apresentada é a presença, no computador de um dos suspeitos, de um comunicado da associação de taxistas (ANATA) que já circulava amplamente nas redes sociais antes dos protestos.

Para observadores, a narrativa oficial repete um padrão histórico. Desde 1977, quando o regime culpou a então União Soviética pela tentativa de golpe atribuída a Nito Alves, o governo angolano tem recorrido a “inimigos externos” para justificar crises internas.

Com meio século de cooperação militar entre Luanda e Moscovo, a acusação de “terrorismo russo” soa paradoxal. A presença de assessores e instrutores russos nas Forças Armadas Angolanas é antiga e oficial, incluindo a atuação de um general russo como conselheiro na Casa Militar da Presidência.

Especialistas acreditam que a estratégia atual serve mais para encobrir a repressão e o descontentamento social do que para enfrentar uma ameaça real. “Quando o povo protesta, o regime precisa de um estrangeiro para culpar”, resumem analistas.

A repressão de julho de 2025 é apontada como o episódio mais letal de violência política em Angola desde o 27 de Maio de 1977. A diferença, dizem, é apenas a escolha do inimigo: se antes era o Ocidente, agora é Moscovo.

No fim, concluem os críticos, o verdadeiro inimigo do regime não é estrangeiro — é o cidadão angolano que ousa pensar e questionar o poder.

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