Belém do Pará — A cidade de Belém, no coração da Amazónia brasileira, acolhe nesta quinta e sexta-feira a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo dedicada à preparação da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, que o Brasil sediará no próximo ano.
O encontro, que reúne líderes mundiais, ministros do ambiente e representantes de organizações internacionais, tem como objetivo alinhar as prioridades políticas e financeiras que orientarão as negociações da conferência.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva pretende usar o evento para reforçar a imagem do Brasil como potência ambiental, após dois anos de esforços para reduzir o desmatamento e restaurar a credibilidade internacional do país.
Entre as principais propostas em discussão está a criação de mecanismos de financiamento climático, incluindo a taxação de grandes fortunas, jatos privados e produtos militares, medida que poderia mobilizar até 1,3 mil milhões de dólares por ano até 2035 para apoiar a transição energética nos países em desenvolvimento.
Desde o seu regresso ao poder, em 2023, Lula tem colocado a agenda ecológica no centro da sua política externa. A Amazónia registou recentemente a menor taxa de desflorestação em 11 anos, resultado que o governo brasileiro apresenta como prova do seu compromisso com o meio ambiente.
Apesar dos avanços, Lula da Silva enfrenta críticas pela sua defesa da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, a menos de 200 quilómetros da floresta tropical. O presidente argumenta que os lucros do petróleo devem ser usados para financiar a transição energética global.
“Se reivindicamos a proteção da floresta, precisamos também usar os recursos do petróleo para consolidar a transição energética do planeta Terra”, afirmou Lula durante a sessão de abertura.
Contudo, analistas alertam que esta posição poderá gerar tensões diplomáticas, uma vez que o Brasil assinou, na COP28, o compromisso de reduzir gradualmente a dependência de combustíveis fósseis — um ponto que poderá ser reavaliado durante as negociações da COP30.
Prevista para novembro de 2026, a COP30 será a primeira conferência climática das Nações Unidas realizada na Amazónia e deverá reunir mais de 190 delegações internacionais.
O evento em Belém é, assim, considerado um ensaio estratégico para medir a disposição política global em torno do combate às alterações climáticas e testar o papel do Brasil como mediador entre países desenvolvidos e emergentes na busca de um novo pacto climático mundial.

