Maputo – O assassinato de agentes da Polícia moçambicana em circunstâncias violentas tem gerado forte preocupação na sociedade. Desde junho, pelo menos quatro polícias foram mortos a tiro na Matola, arredores de Maputo, o que levou o Governo e associações da classe a exigirem investigações rápidas e rigorosas.
O mais recente caso ocorreu esta semana, quando um agente foi encontrado sem vida no interior da sua viatura. O ministro da Justiça, Mateus Saize, lamentou as mortes e assegurou que “decorrem trabalhos para esclarecer os casos”, rejeitando, no entanto, a possibilidade de ordens internas estarem por detrás dos crimes.
O presidente da Associação Nacional de Polícias, Nazário Muanambana, defendeu que é momento do Comando-Geral adotar medidas firmes para travar a escalada de violência contra agentes do Estado. “É lamentável e preocupante. Precisamos proteger aqueles que garantem a soberania e a segurança do cidadão comum”, declarou.
Hipóteses de “ajustes de contas”
Para o analista político Wilker Dias, a sucessão de homicídios levanta a possibilidade de se tratar de ajustes de contas ou mesmo de “queima de arquivos”. O especialista alertou que a falta de respostas rápidas por parte do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) pode comprometer ainda mais a credibilidade da própria Polícia.
Já o criminalista José Capassura sublinha o padrão nos ataques: os atiradores utilizam rajadas de várias balas, semelhante ao que ocorreu no atentado contra o advogado Elvino Dias, atingido com 25 disparos. Para Capassura, trata-se de crimes planeados, direcionados e com mensagens específicas por detrás.
Tentativa de fragilizar a corporação
Segundo Muanambana, os assassinatos parecem visar diretamente a desmoralização da corporação. “Estamos perante um crime organizado que procura criar medo dentro da Polícia e fragilizá-la para abrir espaço às intenções do inimigo”, afirmou.
Embora as investigações ainda não tenham conclusões oficiais, tanto a Associação Nacional de Polícias como especialistas concordam que os ataques revelam uma ameaça grave e sistemática à segurança interna. A dúvida permanece: trata-se de ajustes de contas ou de uma estratégia de eliminação de provas comprometedoras?

